Queridos irmãos e irmãs
Hoje gostaria de partilhar com vocês um texto sobre a oração em Santa Teresinha, do livro Retiro com Santa Teresinha do Menino Jesus, do Pe. Liagre.
Ele diz que Santa Teresinha não tem um método de oração e nem o ensina. A oração deve ultrapassar qualquer método. A oração deve ser a submissão sincera da alma à ação de Deus, isto é, ao Amor Infinito; a entrega a Ele com toda a humildade e com toda a confiança.....
A verdadeira maneira de começar a oração deveria ser um ato de fé firme, vigoroso e vivo no Amor de Deus por nossa alma miserável, com o desejo de aprender d'Ele como corresponder a esse Amor.
Ela seguiu certamente em sua oração as inspirações da sua Mãe e Mestra Santa Teresa de Jesus que simplesmente define a oração como "um trato de amizade entre a alma e Deus" e disse também: "A oração não consiste em pensar muito mas em amar muito"
Na verdade Santa Teresinha não nos fala da oração mas pelos seus escritos aprendemos que sua oração foi sua vida de amor, de caridade fraterna, além de seguir na obediência quotidiana tudo o que deve fazer uma carmelita. "A oração, a contemplação de Teresinha, sem dúvida, foi, antes de tudo uma oração de amor". Ela nos fala de suas distrações, sonolências: "Eu deveria atribuir as securas ao meu pouco fervor e fidelidade. Deveria ficar desolada por dormir tão frequentemente durante minhas orações e ações de graças. Pois bem! Não me desolo! Penso que as criancinhas agradam a seus pais, quando dormem, como quando estão acordadas; penso que o Senhor vê nossa fragilidade e lembra-se de que somos pó (Sl 102, 14). E diz ainda: "Em minhas relações com Jesus, nada: secura, sono! Já que meu Bem-Amado quer dormir, não O impedirei. Alegro-me por ver que Ele não me trata como estranha, que não faz cerimônias comigo. Pois asseguro-vos que Ele não se preocupa em manter conversa comigo".
No entanto ela disse "Não encontro nada nos livros, o Evangelho me basta!" Olhava Jesus Cristo e O escutava nessa atitude de fé, de humildade, de adoração e de desejo. Por esse olhar simples deixava imprimir em sua alma o que o Evangelho lhe dissera das ações e palavras de Jesus. Procurava somente o Amor e descobria, assim, além da letra evangélica o espírito da vida que aí se encontra....Deus revelava-se cada vez mais a ela como seu Pai infinitamente amoroso. Deixava-se levar pelo desejo de amá-Lo; aprendia e via em Jesus como se ama a Deus e como, pobre criancinha, ela poderia e deveria amá-lo.
O Pe. Liagre cita ainda o Pe. Petitot: "Ou se faz oração o dia todo, ou não se faz absolutamente oração" - o que quer dizer: uma alma que durante o dia não está habitualmente recolhida, poderá fazer o que chama sua meditação.....mas na realidade ela não fará oração, no verdadeiro sentido da palavra.
Sua maneira tão simples de se pôr em oração por meio do Evangelho, só pode ser compreendida, só é acessível por seu recolhimento habitual. Esse recolhimento é um estar habitualmente na presença de Deus, é a vida da nossa alma que não vive senão de amor. Sua oração era sua vida. Seu desejo de agradar em tudo a Nosso Senhor. Terminamos com uma frase sua: digo a Jesus "Atraí-me"...e sei que se Ele me atrair atrairá também todos os que eu amo e que estão no meu coração".
Uma boa semana a todos!
sábado, 2 de setembro de 2017
sábado, 12 de agosto de 2017
O MONTE DA PERFEIÇÃO DE SÃO JOÃO DA CRUZ
Queridos irmãos e irmãs
Nesta vésperas do dia dos Pais, partilho com vocês uma pérola preciosa de nosso Pai São João da Cruz, a doutrina para chegar a perfeita união com Deus. Talvez pareça um pouco difícil mas se ler com atenção, vai ver que não é tanto assim.
Nesta vésperas do dia dos Pais, partilho com vocês uma pérola preciosa de nosso Pai São João da Cruz, a doutrina para chegar a perfeita união com Deus. Talvez pareça um pouco difícil mas se ler com atenção, vai ver que não é tanto assim.
SUBIDA – S.J.Cruz é claro –
para chegar a união com Deus a alma há que passar pela noite. Ele é consciente
desde o início de que se trata de uma doutrina difícil de entender e mais
difícil de viver. Porém ele sabe a quem se dirige e porque se dirige: a algumas
pessoas de nossa sagrada religião por me have-lo pedido (Prólogo).
Para esta primeira parte, o
ponto de partida é o desenho do Monte. E pode ser o primeiro passo: explicar o
desenho do monte.
Esta era uma das formas
pedagógicas de Fr. João: “Entre os demais escritos que escreveu, fez um papel
que ele chama “Monte da Perfeição”, pelo qual ensinava que para subir à
perfeição nem se havia de querer bens da terra, nem do céu, senão somente não
querer nem buscar nada, senão buscar e querer em tudo a glória e honra de Deus
nosso Senhor, com coisas particulares a este propósito, o qual Monte da
Perfeição se lho declarou a esta testemunha o dito Santo Padre, sendo seu
prelado no dito convento de Granada” (Martin de S.José)
“Ali, no desenho do Monte se
verá a doutrina que ele ensinava e quão desapegado e despojado era das coisas
desta terra. Este “montezinho” dava-o ele às descalças e desejava que o
entendessem e exercitassem” (Ana de Santo Alberto).
Esse papelzinho se ló dava
frei João aos seus dirigidos para que o levassem no Breviário: “traziam nos
breviários uns papeizinhos nos quais estavam pintados e rotulados o Monte
Carmelo e sua Subida que era doutrina de grande perfeição, ordenada e feita
pelo dito servo de Deus Frei João da Cruz” (Eulógio Pacho)
“Escrevia também alguns
momentos coisas espirituais e de proveito e ali (Beas) compôs o Monte e nos
fez, a cada uma, um de seu próprio punho para o breviário” (Madalena do
Espírito Santo) No dela estava esta dedicatória: “Para minha filha Magdalena”.
Quem tornou público e
conhecido o desenho de frei João da Cruz foi Diego de Astor, personagem
importante na Espanha, discípulo de El Greco, desenhista da moeda real do
Império Espanhol, profissionalmente qualificado. Ele reproduziu o desenho que
s.J.da Cruz fez para os frades e monjas. Este tinha apenas as linhas
essenciais, sem muito colorido.Proliferou-se então os desenhos com emendas e
correções.
Significado do desenho:
1. Ao
pé do Monte – as sentenças. São encontradas em Is 13,11-13 e Is 13, 5-6. S.
J.da Cruz nos pede as atitudes fundamentais que aí estão transcritas. O fim
destas sentenças é dar doutrina para subir o Monte, que é o mais alto da união.
Pode-se aplicar ora a parte sensitiva, ora à parte espiritual, ora também a
purificação da memória (III S 15,1). Sua ideia central é a contraposição do
NADA ao TUDO.
O caráter
ascético das ditas sentenças é evidente, assim como é clara a insinuação ao papel
negativo das virtudes teologais para não saber (fé), não Gostar (caridade), não
possuir (esperança) nada fora de Deus. Se não superarmos esta primeira etapa
não escalaremos jamais o Monte:-
Modo para chegar ao TUDO:
Para vir a
saborear TUDO não queiras ter gosto em NADA;
Para vir a
saber TUDO, não queiras saber algo em NADA:
Para vir a
possuir TUDO, não queiras possuir algo em NADA
Para vir a
ser TUDO não queiras ser algo em NADA
Modo de vir ao TUDO:
Para vir ao
que não GOSTAS; hás de ir por onde não Gostas;
Para vir ao
que não SABES, hás de ir por onde não SABES;
Para vir a
possuir o que não POSSUIS, hás de ir por onde não POSSUIS;
Para chegar
ao que não ÉS, hás de ir por onde não ÉS.
Modo para não impedir ao TUDO:
Quando
reparas em algo – deixas de lançar-te ao TUDO;
Para vir de
todo ao TUDO – hás de deixar-te de todo a TUDO;
E quando
venhas de todo a ter – hás de tê-lo sem nada querer.
Porque se
queres ter algo em TUDO, não tens puro em Deus o teu tesouro.
Indício de que se tem o TUDO
Nesta
desnudez encontra o espírito o seu descanso;
Pois nada
cobiçando, nada o impele para cima e nada o oprime para baixo
Porque está
no centro da sua humildade.
AS TRES SENDAS – 3 OPÇÕES
1ª SENDA –
CAMINHO DA DIREITA:
Afeição
desordenada aos bens da terra. “Quanto mais buscá-lo quis, com tanto menos me
achei”. Não pode subir ao Monte por tomar caminho errado: gosto, liberdade,
honra, etc. Se me busco a mim mesmo, não encontro a Deus. Perco o caminho.
2ª SENDA –
CAMINHO DA ESQUERDA:
Afeição
desordenada aos bens do céu. “Por have-los procurado tive menos que teria se
subisse a senda”. Tardei mais e subi menos porque não subi pela senda: Busca de
glória, segurança, gozo, consolos...Isto não te impede subir o Monte, mas te
carrega com muito peso e te atrasa porque tens que dar muitas voltas. Olha a
guerra que manterás, o tempo que perderás, as forças que dispersarás.
3ª SENDA –
CAMINHO CENTRAL. Senda da Perfeição.
Depois de
repetir 5 vezes o NADA, coloca no cimo do Monte: NADA.
Queres
chegar ao Monte? Sabes que caminho tens que percorrer? Não o da direita, não
chegarás a lugar nenhum, esbarrarás no vazio. Não o da esquerda: é possível
chegar lá, mas te cansarás porque nele dá-se muitas curvas, é cansativo.
Se queres
chegar ao Monte vai pelo centro. Busca o essencial, busca somente Deus, nega-te
a TODO o resto: “Quanto menos o queria, tenho tudo sem querer”. Encontrarás o
cêntuplo que Cristo prometeu.
Esta senda
é a única que penetra o Monte, conectando diretamente com a planície do mesmo,
na qual está escrito:
“Introduxi
vos in terram Carmeli”...Em cujo coração está o lema que presidiu a ascensão
espiritual: “Só mora neste Monte a honra e glória de Deus.”
A senda da
perfeição é mais estreita que as outras duas, o que quer dizer que o viandante
tem que estreitar-se e adelgaçar, se quiser passar (papel curativo das virtudes
teologais, cujo ofício é “apartar a alma de tudo o que é menos que Deus” b(2N
21,11).
No cume não
coloca nenhuma senda porque por aqui não há caminho, porque para o justo não há
lei. Vive-se a liberdade do amor, a liberdade dos filhos de Deus. Ele para si é
lei (Rom 2,14). É este o estado da alma que chegou ao cume da perfeição.
E o que encontra
no Monte: Fé, Esperança, Caridade. As virtudes teologais. Vive-se as virtudes
teologais. Ao redor coloca os dons do Espírito Santo, virtudes e frutos também.
São os frutos da terra do Carmelo aos quais somos chamados a saborear. É isto o
que vivem as almas que escalam o Monte.
Quando não
o quis, com amor de propriedade, foi-me dado tudo sem que o buscasse. E no
Monte, nada – por aqui não há caminho, pois para o justo não há lei. Depois que
me pus em nada, acho que nada me falta. Sabedoria, ciência, fortaleza,
conselho, inteligência, Piedade, temor de Deus, Justiça, Força, Prudência,
Temperança, Caridade, Alegria, Paz, Longanimidade, Paciência, Bondade,
Benignidade, Mansidão, Fé, Modéstia, Continência, Castidade, Segurança, Fé,
Amor, Esperança, divino Silêncio, Divina Sabedoria, Perene Convívio – Só mora
neste Monte a honra e glória de Deus:
“Eu vos
introduzi na terra do Carmelo, para que comêsseis o seu fruto e o melhor dela”
(Jr 2,7).
Uma boa semana a todos.
sábado, 29 de julho de 2017
MARTA E MARIA
Queridos irmãos e irmãs
Hoje, sábado, dia de Santa Marta, pensei em partilhar convosco um trecho que a Santa Madre Teresa de Jesus fala sobre essas duas irmãs tão queridas para nosso Senhor.
Hoje, sábado, dia de Santa Marta, pensei em partilhar convosco um trecho que a Santa Madre Teresa de Jesus fala sobre essas duas irmãs tão queridas para nosso Senhor.
"Santa era Marta, e não dizem que fosse contemplativa. Logo,
que mais desejais do que poder chegar a ser como essa bem-aventurada, que mereceu
ter Cristo Nosso Senhor tantas vezes em sua casa,dando-Lhe de comer, servindo-O
e comendo com Ele à sua mesa? Se todos ficassem como Madalena, embevecida, não
haveria quem desse de comer a esse divino hóspede. Pensai, pois, que esta
congregação é a casa de Santa Marta, devendo nela haver de tudo; e quem for
levada para a vida ativa, não fique murmurando contra as que muito se
absorverem na contemplação, pois sabe que, mesmo que elas se calem, o Senhor
sai em sua defesa, já que, na maior parte do tempo, Ele as faz se descuidarem
de si e de tudo.
Recordai-vos de que é necessário ter alguém que faça a
comida do Senhor, e considerai-vos felizes por O servirdes como Marta. Vede que
a verdadeira humildade reside em nossa disposição de nos contentar com aquilo
que o Senhor quiser de nós e em nos considerar sempre indignas de ser tidas por
servas Suas. Se contemplar, ter oração mental, ter oração vocal, curar
enfermos, servir nas coisas da casa e trabalhar – mesmo nas tarefas mais
humildes – é servir ao Hóspede que vem ter conosco, ficando em nossa companhia,
comendo conosco e conosco se recreando, que nos importa servi-Lo mais de uma
maneira do que de outra? (Caminho da Perfeição, cap 17, 5-6)
...........”Crede-me que Marta e Maria devem andar juntas,
para hospedar o Senhor e tê-Lo sempre consigo, não O recebendo mal e
negligenciando a sua comida. Como Maria Lhe daria a refeição, assentada sempre
aos Seus pés, se sua irmã não a ajudasse? Seu manjar consiste em que, por todos
os modos ao nosso alcance, ganhemos almas que se salvem e louvem a Deus para
sempre.” (Castelo Interior, 7ª Morada, cap. 4, 12)
Uma boa semana a todos.
Uma boa semana a todos.
sábado, 15 de julho de 2017
O SILÊNCIO
Queridos irmãos e irmãs
A nossa Regra pede, entre outras coisas, que guardemos o silêncio durante o dia, falando só as coisas necessárias para os diversos ofícios. Mas temos dois momentos de recreação onde as irmãs se reunem e enquanto trabalhos manualmente, podem falar à vontade, sobre os acontecimentos do dia ou aquilo que o Senhor lhes inspirar.
O silêncio é guardado como meio para facilitar o colóquio amoroso com Deus durante todo o dia, mesmo enquanto fazem seus trabalhos. É a guarda da "Presença de Deus".
Diz o profeta que "O silêncio é o adorno da justiça" e "No silêncio e na esperança estará a nossa fortaleza". E diz também "no muito falar não faltará pecado" e "quem é inconsiderado no falar encontrará danos". E o Senhor disse no Evangelho "De toda palavra ociosa que falamos aos homens daremos conta no dia do Juízo". Então a regra pede que reflitamos bem antes de falar, e quando tiver vontade de dar uma resposta agressiva, "ponha freios na sua boca"!
Como a nossa Ordem tem por fim a união da alma com Deus, e a esta se chega pela oração, precisa então utilizar os meios necessários. O espírito de oração não pode existir sem recolhimento, o qual se nutre com o silêncio. Resulta então que o silêncio é um dos pontos principais para a perfeição. A chave que nos abre sua porta, o fundamento necessário do qual dependem a elevação, a solidez e a beleza do edifício. Por isso, sem o silêncio, não há recolhimento...não há oração...não há união com Deus...não há então perfeição...não há verdadeiro filho do Carmelo.
Alguns frutos do silêncio: preservamos a nossa alma do pecado; nos enriquecemos de virtudes, a ornamos e fortalecemos com as graças de Deus, a iluminamos com vivas e puras luzes, e em fim a unimos a Deus.
Foi no silêncio que Deus pronunciou a sua única Palavra: o VERBO. É no silêncio que Ele se comunica conosco. Só no silêncio podemos lhe falar.
Cada um pode tentar guardar o silêncio conforme as suas possibilidades.
É preciso questionar-se: Tenho medo do silêncio? Ele me incomoda? Ou me sinto bem quando sou envolvida pelo silêncio e posso refletir e pensar em Deus...
Uma santa semana a todos. Que Nossa Mãe Santíssima do Carmo que soube guardar silêncio na sua vida nos ajude nesse caminho.
A nossa Regra pede, entre outras coisas, que guardemos o silêncio durante o dia, falando só as coisas necessárias para os diversos ofícios. Mas temos dois momentos de recreação onde as irmãs se reunem e enquanto trabalhos manualmente, podem falar à vontade, sobre os acontecimentos do dia ou aquilo que o Senhor lhes inspirar.
O silêncio é guardado como meio para facilitar o colóquio amoroso com Deus durante todo o dia, mesmo enquanto fazem seus trabalhos. É a guarda da "Presença de Deus".
Diz o profeta que "O silêncio é o adorno da justiça" e "No silêncio e na esperança estará a nossa fortaleza". E diz também "no muito falar não faltará pecado" e "quem é inconsiderado no falar encontrará danos". E o Senhor disse no Evangelho "De toda palavra ociosa que falamos aos homens daremos conta no dia do Juízo". Então a regra pede que reflitamos bem antes de falar, e quando tiver vontade de dar uma resposta agressiva, "ponha freios na sua boca"!
Como a nossa Ordem tem por fim a união da alma com Deus, e a esta se chega pela oração, precisa então utilizar os meios necessários. O espírito de oração não pode existir sem recolhimento, o qual se nutre com o silêncio. Resulta então que o silêncio é um dos pontos principais para a perfeição. A chave que nos abre sua porta, o fundamento necessário do qual dependem a elevação, a solidez e a beleza do edifício. Por isso, sem o silêncio, não há recolhimento...não há oração...não há união com Deus...não há então perfeição...não há verdadeiro filho do Carmelo.
Alguns frutos do silêncio: preservamos a nossa alma do pecado; nos enriquecemos de virtudes, a ornamos e fortalecemos com as graças de Deus, a iluminamos com vivas e puras luzes, e em fim a unimos a Deus.
Foi no silêncio que Deus pronunciou a sua única Palavra: o VERBO. É no silêncio que Ele se comunica conosco. Só no silêncio podemos lhe falar.
Cada um pode tentar guardar o silêncio conforme as suas possibilidades.
É preciso questionar-se: Tenho medo do silêncio? Ele me incomoda? Ou me sinto bem quando sou envolvida pelo silêncio e posso refletir e pensar em Deus...
Uma santa semana a todos. Que Nossa Mãe Santíssima do Carmo que soube guardar silêncio na sua vida nos ajude nesse caminho.
sábado, 17 de junho de 2017
VISÃO DA SANTÍSSIMA TRINDADE
Queridos irmãos e irmãs
Amanhã, solenidade da Santíssima Trindade, partilho convosco um trecho do livro das Moradas de Santa Teresa de Jesus, no qual ela narra uma visão que teve da Santíssima Trindade. Vejamos:
Nas 7ª Morada, capítulo 1, 6-10, a Santa Madre Teresa de
Jesus conta como viu representada em si a Santíssima Trindade:
“Introduzida a alma nesta morada, mediante visão intelectual
se lhe mostra, por uma espécie de representação da verdade, a Santíssima
Trindade – Deus em Três Pessoas: Primeiro lhe vem ao espírito uma inflamação
que se assemelha a uma nuvem de enorme claridade. Ela vê então nitidamente a
distinção das divinas Pessoas; por uma notícia admirável que lhe é infundida,
entende com certeza absoluta serem as três uma substância, um poder, um saber,
um só Deus.´
........
Na sétima Morada,
comunicam-se com ela e lhe falam as três Pessoas. Elas lhe dão a entender as
palavras do Senhor que estão no Evangelho: que viria Ele, com o Pai e o
Espírito Santo, para morar na alma que O ama e segue Seus mandamentos
(jo14,23).
Oh, valha-me Deus! Ouvir essas palavras e crer nelas é uma
coisa; entender a sua verdade pelo modo de que falo é algo inteiramente
diverso! E cada dia se espanta mais essa alma, porque lhe parece que as três
Pessoas nunca mais se afastaram dela. Pelo contrário, vê nitidamente – do modo
que dissemos – que estão em seu interior. E no mais íntimo de si, num lugar
muito profundo – que ela não sabe especificar, porque é ignorante – percebe em
si essa divina companhia.
Lendo o que digo, pode parecer-vos que ela não fica em si,
mas tão embevecida que não dá atenção a coisa alguma. Mas a alma o faz, sim, e
muito mais do que antes. Dedica-se a tudo o que é serviço de Deus e,
faltando-lhe as ocupações, permanece naquela agradável companhia.
E se a alma não faltar a Deus, jamais Ele – ao que me parece
– lhe faltará ou deixará de comunicar-lhe tão claramente a Sua presença. E ela tem
grande confiança no fato de que Deus não a abandonará, pois, se Este lhe
concedeu tamanha graça, não permitirá que a perca. E é justo pensar assim,
ainda que ela não deixe de agir com mais cuidado do que nunca, a fim de não
desagradar o Senhor em nada.
Perceba-se que o fato de a alma trazer em si essa presença
não se passa de modo tão perfeito, isto é, tão claro como quando se lhe
manifesta na primeira vez, ou em algumas outras nas quais apraz a Deus
fazer-lhe esse favor. Se assim não fosse, a alma não poderia ocupar-se de
qualquer outra coisa, nem mesmo viver com as demais pessoas.”
VOCÊ AMA O SEU ANJO DA GUARDA?
Queridos irmãos e irmãs
Hoje, partilho convosco este belo contrato que uma carmelita fez com seu Anjo da Guarda. E também uma oração de Abandono, da mesma irmã. Esperamos que aprecie.
Hoje, partilho convosco este belo contrato que uma carmelita fez com seu Anjo da Guarda. E também uma oração de Abandono, da mesma irmã. Esperamos que aprecie.
CONVENÇÃO COM MEU ANJO DA GUARDA
(Madre Maria Gabriela -fundadora do
Carmelo de Fátima)
“Meu Anjo querido, companheiro fiel da minha existência
inteira, sentindo o desgosto de não vos ter oferecido um tributo suficiente de
amor e de reconhecimento, quero neste dia e no futuro reparar os meus
esquecimentos e minhas negligências e prometo-vos uma atenção mais constante e
um testemunho mais assíduo da minha afeição sincera e profunda.
Façamos, se bem o quereis – e vós o quereis – um pacto
fraternal, a fim de que eu possa chegar a viver mais realmente e mais
constantemente na santa presença de meu Deus e do vosso Deus. Ajudai-me a
recolher-me e viver no interior, em face de Deus como vós. Assisti-me nas
minhas orações, comunhões, ações de graça, no Ofício Divino, no terço e em
todas as horas do dia em que estou ocupada em tantas coisas para o serviço da
comunidade e para as almas. Nesse tempo especialmente guardai o meu lugar em
frente de Deus; adorai, amai, reparai, consolai por mim, e dizei-o ao meu Deus!
E de noite quando repouso, vigiai, fazei o que quereria fazer: adorar, amar,
reparar, consolar!
Partilharei convosco as minhas comunhões reparadoras à
glória da Santíssima Trindade, do Coração de Jesus e do Coração de Maria.
Os meus sofrimentos também partilharei convosco, visto
que não podeis nem comungar, nem sofrer.
Oferecei isto ao nosso Deus bem amado, a Jesus, ao
Espírito Santo e a Maria, minha Mãe. Fazei de mim um anjo, uma alma toda
recolhida e entregue...Ajudai-me a realizar ainda o que Deus quiser de mim... E
preparai-me para uma santa morte de amor. Assisti-me nessa hora, e levai-me
diante de Deus para louva-Lo convosco
durante toda a eternidade bem-aventurada! Amém!
ATO DE ABANDONO
(da mesma autora)
“Pai Santo, em
união com Jesus que acaba de nascer, abandono-me totalmente como Ele à Vossa
Vontade adorável, para a vida e a morte, para o tempo e a eternidade. Desejo
que este ato de cego abandono seja a viva expressão da minha fé, da minha
esperança e do meu amor, e quero repeti-lo com toda a minha alma a cada
instante da minha vida.
Dou-me a Vós como uma pobre e pequena hóstia para ser
cada dia, consagrada, oferecida, depois
partida e consumida toda inteira para Vossa maior glória e para as almas que me
haveis dado. O que Vós desejardes mais, ó meu Deus, tomai-o Vós próprio” (Natal
de 1936)
domingo, 4 de junho de 2017
PENTECOSTES
Queridos Irmãos e Irmãs
Neste dia em que no mundo inteiro a Santa Igreja comemora e se alegra com a solenidade de Pentecostes é um dia propício para fazermos uma consagração ao Espírito Santo que tantos dons tem concedido à sua Igreja e a cada um de nós. Antes de fazê-la é preciso ler com atenção e ver suas disposições para fazer tal Ato de Consagração.
Ó Espírito Santo, laço divino que unis o Pai com o Filho em um inefável e estreitíssimo abraço de amor, Espírito de luz e de verdade, dignai-Vos derramar toda a plenitude de vossos dons sobre minha alma, que solenemente Vos consagro para sempre, a fim de que sejais seu Preceptor, seu Diretor e seu Mestre.
Neste dia em que no mundo inteiro a Santa Igreja comemora e se alegra com a solenidade de Pentecostes é um dia propício para fazermos uma consagração ao Espírito Santo que tantos dons tem concedido à sua Igreja e a cada um de nós. Antes de fazê-la é preciso ler com atenção e ver suas disposições para fazer tal Ato de Consagração.
ATO DE CONSAGRAÇÃO AO DIVINO ESPÍRITO SANTO
Ó Espírito Santo, laço divino que unis o Pai com o Filho em um inefável e estreitíssimo abraço de amor, Espírito de luz e de verdade, dignai-Vos derramar toda a plenitude de vossos dons sobre minha alma, que solenemente Vos consagro para sempre, a fim de que sejais seu Preceptor, seu Diretor e seu Mestre.
D'ora avante prometo fidelidade
a todos os vossos desejos e inspirações e entrega completa e amorosa à vossa
ação divina.
Espírito Criador, vinde! Vinde
operar em mim a renovação pela qual ardentemente suspiro; renovação e
transformação tal que seja como uma nova criação, toda de graça, de pureza e de
amor, com a qual dê princípio deveras à vida inteiramente espiritual,
celestial, angélica e divina que exige a minha vocação cristã.
Espírito de santidade, concedei
à minha alma o contato da vossa pureza, e ficará mais branca do que a neve.
Fonte sagrada de inocência, de
candura e de virgindade, dai-me a beber de vossas águas divinas, apagai a sede
de pureza que me abrasa, batizando-me com aquele batismo de fogo cujo divino
Batistério é a vossa Divindade, sois Vós mesmo.
Envolvei todo o meu ser com as
suas puríssimas chamas!
Destruí, devorai, consumi nos
ardores do puro amor quanto em mim há de imperfeito, de terreno, de humano,
quanto não seja digno de Vós.
Que a vossa divina unção renove
a minha consagração como templo de toda a Santíssima Trindade, e como membro
vivo de Jesus Cristo, a Quem mais completamente ainda ofereço minha alma, meu
corpo, meu espírito e meu coração, com quanto sou e possuo.
Feri-me de amor, ó Espírito
Santo, com um desses íntimos e delicados toques do vosso amor, para que, à
maneira de seta inflamada, fira e transpasse o meu coração, fazendo-me morrer
para mim mesmo e para tudo aquilo que não seja o Amado!
Trânsito feliz e misterioso que
só Vós podeis empreende, ó Espírito Divino, e que eu desejo e peço
humildemente!
Qual carro de fogo divino
arrebatai-me da terra ao céu, de mim mesmo a Deus, fazendo que desde agora
habite naquele paraíso que é o seu Coração.
Infundi em mim o verdadeiro espírito
da minha vocação e as grandes virtudes que ela exige, e que são penhor seguro
de santidade: o amor da cruz e da humilhação e o desprezo de tudo que é
transitório.
Dai-me sobretudo uma humildade
profundíssima e um santo ódio contra mim mesmo.
Ordenai em mim a caridade e
inebriai-me com o vinho que gera virgens.
Que o meu amor a Jesus seja
perfeitíssimo, até chegar a uma completa alienação de mim mesmo, àquela
celestial loucura que faz perder o sentido humano de todas as coisas, para
seguir as luzes da fé e os impulsos da graça.
Aceitai-me, pois, ó Espírito
Santo, que de todo e por completo me entrego a Vós. Possuí-me, admiti-me às
castíssima delícias de vossa união, que nela desfaleça e expire de puro amor ao
receber o vosso ósculo de paz. Amém. (autor desconhecido).
Uma boa semana a todos, retornando ao Tempo Comum.
Assinar:
Comentários (Atom)