sábado, 13 de dezembro de 2014

SÃO JOÃO DA CRUZ



Queridos irmãos e irmãs

Hoje estamos comemorando a Solenidade de São João da Cruz que foi antecipada pois neste ano dia 14 cai do Domingo Laetare.

Gostaria de partilhar com vocês uma página de nosso Pai São João da Cruz que é tirada do Livro a Subida ao Monte Carmelo, Livro 2, capítulo 22:-

“ O motivo principal por que na antiga Lei eram lícitas as perguntas feitas a Deus e convinha aos profetas e sacerdotes desejarem visões e revelações divinas, era não estar ainda bem fundada a fé nem estabelecida a Lei evangélica. Era assim necessário que se interrogasse a Deus e Ele respondesse, ora por palavras, ora por visões e revelações, ora por meio de figuras e símbolos ou sinais de qualquer outra espécie. Porque todas as respostas e revelações divinas eram mistérios de nossa fé, que a visavam ou lhe eram relacionados.
Agora, já estando firmada a fé em Cristo e promulgada a Lei evangélica nesta era da graça, não há mais razão para perguntar daquele modo nem para Deus responder como antigamente.

Ao dar-nos como nos deu, o seu Filho, que é a sua única Palavra (e outra não há), disse-nos tudo de uma vez nessa Palavra e nada mais tem a dizer.

É este o sentido do texto em que são Paulo quer induzir os hebreus a se afastarem daqueles primitivos modos de tratar com Deus e a fixarem os olhos unicamente em Cristo, dizendo:

“Tendo Deus, muitas vezes e de muitos modos, falado outrora a nossos pais por intermédio dos profetas, nestes últimos dias nos falour por meio de seu Filho”.

Por estas palavras o Apóstolo dá a entender que Deus emudeceu, por assim dizer, e nada mais tem a falar, pois o que antes dizia em parte aos profetas agora nos revelou no todo, dando-nos o TUDO que é o seu Filho.

Se agora, portanto, alguém quisesse interrogar a Deus, ou pedir-lhe alguma visão u revelação, faria injúria a Deus não pondo os olhos totalmente em Cristo, sem querer outra coisa ou novidade alguma. Deus poderia responder-lhe deste modo: 

                 “Este é o meu Filho amado, no qual pus todo o meu amor: escutai-o”

Já te disse todas as coisas em minha Palavra; põe os olhos unicamente Nele; porque Nele tenho dito e revelado tudo, e Nele encontrarás ainda mais do que pedes e desejas.

Desde o dia em que, no Tabor, desci com meu Espírito sobre Ele, dizendo: “Este é meu Filho amado, no qual pus todo o meu amor; escutai-o” aboli todas as antigas maneiras de ensinamento e resposta. Se falava antes, era para prometer o Cristo; se me interrogavam, eram perguntas relacionadas com o pedido e a esperança da vinda do Cristo, no qual haviam de encontrar todo o bem – como agora o demonstra toda a doutrina dos evangelhos e dos apóstolos.”

sábado, 29 de novembro de 2014

PAI NOSSO QUE ESTAIS NO CÉU




ANO JUBILAR DOS 500 ANOS DO NASCIMENTO DE SANTA TERESA DE JESUS
 1515 – 2015

Queridos irmãos e irmãs

Neste domingo iniciamos o novo ano litúrgico com o 1º Domingo do Advento - Tempo de expectativa alegre pela próxima vinda de Jesus Cristo - Verbo Encarnado. Preparemos o nosso coração para recebê-lo com muita alegria e desejosos de serví-lo com todo o nosso ser. 

Continuemos nosso partilha dos escritos de Santa Teresa de Jesus

No capítulo 27 do Caminho da Perfeição Santa Teresa de Jesus começa a falar sobre as primeiras palavras do Pai-Nosso.

“Já não seria excessivo, Senhor, no fim da oração conceder-nos a graça de chamar-vos nosso Pai? Mas vós nos encheis as mãos e fazeis logo no começo tão grande favor. Diante de uma graça tão imensa, justo seria absorver-se nela o intelecto e ocupar-se a vontade a ponto de não poder pronunciar palavra!

Como ficaria bem aqui, filhas, falar-vos da contemplação perfeita! Com quanta razão entraria a alma em si, para melhor elevar-se acima de si mesma e aí escutar e aprender o que este santo Filho ensina acerca do lugar onde está seu Pai, quando ele diz que é o Céu. Saíamos da terra, filhas minhas!

 Conhecendo a excelência deste favor, seria estimá-lo muito pouco se ainda aqui ficássemos depois de o ter entendido.

Ó Filho de Deus e Senhor meu! Quantos bens juntos nos dais, logo à primeira palavra! Com tão grandes extremos vos humilhais, a ponto de vos unirdes a nós para pedir conosco, fazendo-vos irmão de criaturas tão vis e miseráveis!

Querendo que vosso Pai nos tenha por filhos, em nome de vosso Pai, dais tudo o que se pode dar. Como vossa palavra não pode faltar, obrigais vosso Pai a cumpri-la e a nos atender.

Isto não é pequena obrigação. Sendo Pai, nos há de suportar, por graves que sejam as nossas ofensas. Se voltamos para Ele terá de perdoar-nos, como ao filho pródigo. Terá de consolar-nos em nossos sofrimentos e sustentar-nos como faz tal Pai.

Pelo fato de nele existir a perfeição de todos os bens, forçosamente é melhor que todos os pais do mundo. Por fim, há de tornar-nos participantes e herdeiros convosco de seu reino.

Vede bem, Senhor meu, o que fazeis por nós. Ao amor que nos tendes e à vossa profunda humildade, não há extremos que vos pareçam demasiados.

Enfim, Senhor, descestes à terra e vos revestistes da nossa carne. Já que tendes a nossa natureza, há algum motivo para olhardes por nosso proveito. Mas considerai que estando vosso Pai no céu, como dizeis, justo é zelardes por sua honra......

 
Ó bom Jesus! Com quanta clareza mostrastes que sois uma só coisa com vosso Pai1! Com  que evidência revelastes, Senhor meu, que vossa vontade é sua, e a dele, vossa! Que coisa maravilhosa o amor que nos tendes!..........

Então, filhas, não vos parece que é bom Mestre? Para nos afeiçoar ao seu ensinamento começa fazendo-nos tão grandes  graças. Vedes agora como é justo que, na oração vocal, ao dizermos com os lábios esta palavra – PAI NOSSO – COM A MENTE PROCUREMOS ENTENDER-LHE O SENTIDO, PARA QUE SE DESPEDACE NOSSO CORAÇÃO À VISTA DE TAL TERNURA!

Deus é nosso Pai! Que filho há no mundo que não procure indagar quem é seu pai, principalmente sabendo que o tem tão bom, de tanta majestade e soberania......

Procurai ser tais, minhas filhas, que mereçais lançar-vos nos braços desse Pai e gozar de sua companhia!
Se fordes boas filhas, Ele, já o sabeis – não vos afastará de junto de si. Quem não fará tudo para não perder um tal Pai?

Valha-me Deus! Quantos motivos de consolação achareis aqui. Para não me alargar muito, quero deixá-lo à vossa ponderação. Por desbaratada que ande a vossa imaginação, forçosamente haveis de achar entre tal Pai e tal Filho, o Espírito Santo. Que Ele enamore vossa vontade e, se tão grande interesse não bastar para fascinar-vos, Ele, que é o Amor infinito, vos prenda comospoderososvínculos do Seu amor.
Ó bom Jesus! Com quanta clareza mostrastes que sois uma só coisa com vosso Pai1! Com  que evidência revelastes, Senhor meu, que vossa vontade é sua, e a dele, vossa! Que coisa maravilhosa o amor que nos tendes!..........
Então, filhas, não vos parece que é bom Mestre? Para nos afeiçoar ao seu ensinamento começa fazendo-nos tão grandes  graças. Vedes agora como é justo que, na oração vocal, ao dizermos com os lábios esta palavra – PAI NOSSO – COM A MENTE PROCUREMOS ENTENDER-LHE O SENTIDO, PARA QUE SE DESPEDACE NOSSO CORAÇÃO À VISTA DE TAL TERNURA!

Deus é nosso Pai! Que filho há no mundo que não procure indagar quem é seu pai, principalmente sabendo que o tem tão bom, de tanta majestade e soberania......
Procurai ser tais, minhas filhas, que mereçais lançar-vos nos braços desse Pai e gozar de sua companhia!
Se fordes boas filhas, Ele, já o sabeis – não vos afastará de junto de si. Quem não fará tudo para não perder um tal Pai?

Valha-me Deus! Quantos motivos de consolação achareis aqui. Para não me alargar muito, quero deixá-lo à vossa ponderação. Por desbaratada que ande a vossa imaginação, forçosamente haveis de achar entre tal Pai e tal Filho, o Espírito Santo. Que Ele enamore vossa vontade e, se tão grande interesse não bastar para fascinar-vos, Ele, que é o Amor infinito, vos prenda com os poderosos vínculos do Seu amor.

sábado, 15 de novembro de 2014

COMEÇA A FALAR SOBRE A ORAÇÃO

Queridos irmãos e irmãs

O edifício da oração que Santa Teresa quer elevar repousa como já vimos sobre fundamentos muito sólidos: as virtudes que ela nos propõe não são ordinárias e sim profundas, perfeitas, heroicas. Teresa conhece a variedade das almas: algumas caminham como “pintainhos, com pés embaraçados”, outras ao contrário, “levantam seu voo como águias”. A Santa quer que suas filhas não sejam pintainhos, mas que se lancem para os cumes como as águias.

Se a alma chega a se alçar da terra, por um perfeito desprendimento, não será justo que também sejam mergulhadas na luz da amorosa contemplação?

O desprendimento liberta, esvazia o coração do amor-próprio; a oração o enche do amor divino. Diz as suas filhas (todos podem considerar-se “filhos e filhas de Teresa): “Fazei oração mental...aquelas que não o conseguirem dedicar-se-ão à oração vocal, à leitura e colóquio com Deus...Não deixeis a hora de oração”...

Para Santa Teresa, com efeito, a oração é, antes de tudo um exercício de amor. Muitas vezes diz claramente que consiste “não em pensar muito, mas em amar muito”...Diz ainda: “A oração é um comércio de amizade, onde nos entretemos sempre intimamente com Quem sabemos que nos ama”. Estar com Deus, falar-lhe intimamente, eis para Santa Teresa toda substância da oração mental. Na oração, a vontade é a rainha, porque dela procede o amor; fazer oração é dizer a nosso Senhor que o amamos e que queremos efetivamente amá-Lo.

Um primeiro ponto muito importante desde o princípio da oração, é o de se por bem em presença de Deus; em seguida tudo se reduz a um amoroso colóquio com o Senhor: “Não vos peço fixar vosso pensamente nele, nem fazer numerosos raciocínios ou altas e sábias considerações. O que vos peço é pousar sobre Ele o olhar de vossa alma...considerai-o atado à coluna, cheio de dores, todo o corpo flagelado, pelo grande amor que vos tem. Ele voltará para vós seus olhos tão belos e compassivos, cheios de lágrimas. Esquecerá seus sofrimentos para vos consolar dos vossos, para que...volvais a cabeça para Ele a fim de O contemplar. Vendo-o em tal estado, vosso coração se enternecerá...ser-vos-á uma alegria entreter vos com Ele, não com orações estudadas, mas com a linguagem do coração:

                “ó MEU Senhor e meu bem-amado, como estais reduzido a tal estado? Como é possível que admitais em vossa presença, em vossa companhia uma mendiga como eu? Vejo em vossa face que vos consolais de me ver perto de vós...E já que consentis, Senhor, em suportar tantos sofrimentos por amor de mim, que é que eu suporto por vós?...Caminhemos juntos, Senhor, por onde fordes eu também irei; por onde passardes hei de passar” (Caminho da Perfeição, cap. 26, 3-6).

Santa Teresa deseja imprimir no espírito de suas filhas esta grande e consoladora verdade que é a presença real de Deus em nós: “Há dentro de nós alguma coisa incomparavelmente mais preciosa que o que vemos fora pelos sentidos. Não imaginemos que todo nosso interior é vazio! E acrescenta: “Praza a Deu, não sejam só as mulheres a ignorar esta verdade (C.P. 28,10).

Já que Deus habita realmente em nós, a Santa ensina a nos recolhermos no pequeno céu interior de nossa alma e a conversar com Ele, muito intimamente: “Tratai com Ele como com um pai, um irmão, um mestre, um esposo, umas vezes sob um aspecto, ora sob outro. Não sejais tolas de nada lhe pedir! Desde que é vosso esposo, deve manter a palavra e tratar-vos como suas esposas” (C.P. 28).

A alma, recolhida em Deus, se contenta habitualmente com a atitude de um simples olhar amoroso antes que com profundos raciocínios.

“Ali, o divino Mestre virá mais prontamente instruí-la e dar-lhe a oração de quietação...Aquelas que, dentre vós puderem se encerrar assim no pequeno céu de sua alma...seguirão, creiam-me, uma via excelente; chegarão certamente a beber, na fonte de água viva” (CP 28)

Uma boa semana a todos.
  

sábado, 8 de novembro de 2014

A HUMILDADE – 3ª VIRTUDE NECESSÁRIA PARA UMA VIDA DE ORAÇÃO




Queridos irmãos e irmãs

Hoje partilhamos algo do que a Santa Madre Teresa de Jesus fala sobre a humildade nos capítulos 10 e seguintes.

Ela dá como um bom remédio para nos desapegarmos de tudo “trazer constantemente no pensamento a vaidade que é tudo e como tão depressa se acaba, para tirar a afeição das coisas que passam e colocá-la nas eu nunca se hão de acabar. E ainda que pareça um meio fraco, vem a fortalecer muito a alma e ser vigilante ainda que nas muito pequenas coisas: se notar que está apegando-se a alguma, procurar afastar o pensamento dela e voltá-lo para Deus, e Sua Majestade vem em sua ajuda.....Aqui pode entrar a verdadeira HUMILDADE, porque esta virtude com a do desapego, parece-me que andam sempre juntas; são duas irmãs que não há por que apartá-las.....Abracem e amem essas virtudes e nunca se vejam sem elas.
Oh, soberanas virtudes, senhoras de todo o criado, imperadoras do mundo, libertadoras de todos os laços e enredos que o demônio coloca, tão amadas por nosso Mestre Cristo, que nunca se viu sem elas nem num pequeno ponto! Quem as tiver, bem pode sair e combater contra todo o mundo e suas ocasiões; não tenham medo de ninguém pois seu é o Reino dos Céus; não têm a quem temer pois não lhe importa perder tudo pois a tudo tem por nada; só teme descontentar a seu Deus e deixar de suplicar-lhe que a sustente nelas para que não as perca por culpa sua.

“Verdade é que estas virtudes têm tal propriedade que se escondem de quem as possui, de maneira que nunca as vê nem acaba de crer que tem alguma, embora lho digam. Mas tem-nas em tanto, que sempre anda procurando tê-las e as vai aperfeiçoando em si cada vez mais, ainda que os outros bem notam quem as têm, pois logo se dão a conhecer aos que com eles tratam, sem mesmo o quererem.”

“Mas que desatino pôr-me eu a louvar a humildade e a mortificação, estando elas tão louvadas pelo Rei da Glória e tão confirmadas por tantos trabalhos Seus! Pois, filhas minhas, aqui é o trabalhar para sair da terra do Egito, que, em as achando, achareis o maná. Todos as coisas terão bom sabor para vós, por mau sabor tenham ao gosto dos do mundo, se vos farão doces.”

Depois ela vai falar da necessidade de se desprender do amor próprio exagerado – amor ao próprio corpo, a própria saúde, também o de queixar-se sempre de pequenos males. “Se podeis sofrê-los, não o façais”. Fala às religiosas que pensem nas casadas que “mesmo com graves males, para não aborrecerem o marido, não ousam queixar-se, e com grandes trabalhos” e a ainda “Já que estais livres dos grandes trabalhos do mundo,sabei sofrer um pouquinho por amor de Deus sem que todos o saibam! Pois, se uma mulher muito mal casada, para que não o saiba seu marido, nem o diz, nem se queixa e passa muita desventura sem desabafar com  ninguém, não sofreremos nós a sós com Deus um pouco dos males que nos dá por causa de nossos pecados? Tanto mais que é um quase nada o que assim se aplaca do mal. Em tudo o que disse, não me refiro a doenças graves...mas de umas molestiazinhas que se podem agüentar de pé.......Quantas vezes zombou de nós o corpo, não zombaremos dele também  alguma?”

Uma boa semana a todos


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O DESAPEGO – VIRTUDE NECESSÁRIA PARA UMA VIDA DE ORAÇÃO




Queridos irmãos e irmãs

Continuando a partilha de textos da Santa Madre Teresa de Jesus neste Ano Jubilar dos 500 anos de seu nascimento, hoje apresentamos algo do que ela relata no capítulo 8 e 9 do Caminho da Perfeição:

“Agora, falemos do desprendimento que temos que ter, porque nisto está tudo, se vai com perfeição. Aqui digo que nisto está tudo porque abraçando-nos só com o Criador e não nos importando com nada mais de todo o criado. Sua Majestade infunde de tal maneira as virtudes que, trabalhando pouco a pouco nesse sentido de desprendimento, não teremos mais que pelejar, pois o Senhor toma nossa defesa contra os demônios e tudo mais.

Pensais, irmãs, que é pouca coisa procurar este bem de dar-nos totalmente ao Todo, sem reservas? Nisto estão todos os bens, como digo, louvemo-Lo muito, irmãs, que aqui nos juntou e onde não se trata de outra coisa senão disto......

No Capítulo 9 do Caminho da Perfeição ela continua.:

Fala da necessidade de tratar com liberdade de coração com parentes, amigos ou conhecidos, não se apegando a eles. Mas, mais do que desapegar-se das criaturas sua preocupação maior é que nos APEGUEMOS ao CRIADOR:...”Trata-se em determinadamente abraçar-se a alma com o BOM JESUS, Senhor nosso, que como Nele acha TUDO, esquece tudo o mais...

No Capítulo 10 continua falando de uma coisa muito importante: Não basta desapegar-se das criaturas é preciso desapegar-se de si mesmo, de seu “eu”:

“Poderia parecer que afastadas do mundo e das criaturas já tudo está concluído, tudo feito, e que não é preciso lutar mais com nada nem ninguém. Oh! Irmãs, minhas! Não vos assegureis nem cochilai, que será como aquele que se recosta muito sossegado tendo fechadas todas as portas por medo dos ladrões e os deixa em casa; já sabeis que não há pior ladrão, pois ficamos nós mesmas, e se não andamos com muito cuidado a contrariar a própria vontade, haverá muitas coisas que roubarão essa santa liberdade de espírito  que a fará encaminhar-se para seu Criador sem ser carregada de terra e de lama.”

Uma boa semana a todos.

sábado, 11 de outubro de 2014

AINDA SOBRE A PRIMEIRA EXIGÊNCIA PARA UMA VIDA DE ORAÇÃO



Queridos irmãos e irmãs

Concluindo o que foi transcrito sobre a 1ª virtude para uma vida de oração – a caridade fraterna, consideremos o que ela narra no Livro da Vida (24,6): Depois de uma graça que o Senhor lhe concedeu, sentiu-se liberta de apegos afetivos e disse: “Nunca mais consegui permanecer em amizades nem ter consolo nem afeição particular senão por pessoas que, pelo que percebo, amam a Deus e procuram servi-Lo”.

 Resumindo: O amor sensível é sentimental, fixa o olhar em valores medíocres, de mera aparência, caducos. É o amor efêmero, exposto aos vaivéns da vida. Enquanto que o amor puro, espiritual, ama a pessoa pelo que ela é e por seus valores estáveis, capazes de alicerçar um amor eterno, não exposto às ondas do quotidiano. É um amor que dignifica as pessoas que o possuem, como já foi visto na semana passada (C.P.6,4).

 E termina aconselhando suas filhas: “Desejo que se queiram e se amem ternamente e com prazer, mesmo que não seja com tanta perfeição como o amor de que estou falando (amor puro, espiritual): que não haja ponto de discórdia”. (CP 11,11).

Teresa está convencida de que só chegaremos a praticar com perfeição esse preceito se o amor do próximo tiver como raiz o amor de Deus (5M 3,9).


“Aqueles que de fato amam a Deus, tudo o que é bom amam, desejam tudo o que é bom, estimulam tudo o que é bom, louvam tudo o que é bom. Aos bons se unem sempre, favorecendo-os e defendendo-os; não amam senão a verdade e as coisas verdadeiramente dignas de amor. Pensais que quem ama genuinamente a Deus possa amar vaidades? Não, tampouco pode amar riquezas, coisas do mundo, deleites, honras ou ter contendas e invejas. Tudo porque não pretendem outra coisa senão contentar o Amado (C.P. 40,3).


Uma boa semana a todos.

sábado, 4 de outubro de 2014

1ª COISA NECESSÁRIA PARA A VIDA DE ORAÇÃO: A CARIDADE

Queridos irmãos e irmãs

Vamos continuar a partilha do texto do Caminho da Perfeição, selecionando trechos:



“Quanto a primeira, que é amar-vos muito umas às outras,vai nisto muito, muito. Pois não há coisa difícil que não se passe com facilidade entre os que se amam; e forte há de ser a coisa quando lhe causa enfado. E se este mandamento se guardasse no mundo como se deveria guardar, creio que aproveitaria muito para se guardarem os demais. Mas, em mais ou em menos, nunca conseguimos guardá-lo com perfeição........ Nesta casa todas hão de ser amigos, todas hão de se amar......Amemos as virtudes e o bom espírito e tenhamos sempre um cuidadoso empenho de não fazer caso de tudo quanto é exterior. Não consintamos, ó irmãs, que o nosso coração seja escravo de ninguém senão d’Aquele que o comprou com o Seu sangue......
Como há de ser este amar-se e que coisa é amor virtuoso.....quereria eu dizer um poucochinho, conforme a minha rudeza.....De dois modos de amor é o que eu quero tratar:um, espiritual, porque parece que em nenhuma coisa toca nos sentidos nem na ternura da nossa natureza, de modo a que lhe tirem a sua pureza. O outro é também espiritual, mas junto com elevai a nossa sensibilidade e fraqueza. É amor bom, que parece lícito, como o de parentes e amigos. Deste, já fica dito alguma coisa. Do que é espiritual,,sem que intervenha paixão alguma, quero eu agora falar, porque, havendo paixão, vai desconcertado todo este concerto.Se tratamos com moderação e discrição com as pessoas virtuosas .....é proveitoso. Espero no Senhor que Ele não permitirá que, pessoas que hão de tratar sempre de oração, possam ter amizade senão a quem for muito amigo de Deus....
Parece-me agora a mim que, quando Deus chega uma pessoa ao claro conhecimento do que é o mundo, e que coisa é o mundo,e que há outro mundo e a diferença que vai de um ao outro, e que um é eterno e o outro sonhado; ou que coisa é amar ao Criador ou à criatura (isto conhecido por experiência, que é coisa bem diferente de somente o pensar e crer), ou ver e experimentar o que se ganha com um e se perde com o outro; e o que é ser Criador e o que é ser criatura, e outras muitas coisas que o Senhor ensina a quem se quer prestar a ser ensinado por Ele na oração, ou a quem apraz a Sua Majestade, essa pessoa ama muito diferentemente de nós,que não chegamos ainda aqui.....

Estas pessoas que Deus faz chegar a este estado, são almas generosas, almas reais; não se contentam com amar coisa tão ruim como estes corpos, por formosos que sejam, por muitas graças que tenham, bem que lhes agrade à vista e louvem o Criador. Mas para aí se deter, não. Digo deter-se, de maneira a que por estes motivos lhe tenham amor. Parecer-lhes-ia que amam coisa sem substância e que se empregam a querer bem a uma sombra; teriam vergonha de si mesmos e não teriam cara, sem grande confusão sua, para dizer a Deus que O amam....Quanto ao ser amadas pelas criaturas não o desejam com ânsia. São livres. ...

Agora notem que, quando queremos o amor de alguma pessoa, sempre se pretende algum interesse de proveito ou satisfação nossa. Ora, estas pessoas perfeitas já tem debaixo dos pés todos os bens e regalos que o mundo lhes pode dar; já estão de maneira que, contentamentos – ainda mesmo que os queiram, a modo de dizer –não os podem ter, a não ser que seja com Deus ou em tratar de Deus. Que proveito, pois, lhes pode vir de serem amadas?....

Estas tais almas são sempre afeiçoadas a dar muito mais do que a receber; até com o mesmo Criador lhes acontece isto. Digo que este merece o nome de amor, que estas outras afeições baixas tem-lhe usurpado o nome.”  (Cap. VII, Caminho da Perfeição).

Uma boa semana a todos.