terça-feira, 4 de abril de 2017

TESTAMENTO ESPIRITUAL DE SANTA ELISABETE DA TRINDADE

Carta de Santa Elisabete da Trindade para a Madre Germana – Novembro 1906
JMJT

Minha querida Madre, meu sacerdote santo, quando ler estas linhas o seu pequeno Louvor de glória não cantará mais sobre a terra, mas habitará o imenso Foco de amor. Pode, então, crê-lo, escutá-lo como sendo o “porta-voz” do bom Deus. Madre querida, eu desejaria dizer-lhe tudo quanto tem sido para mim. Mas a hora é grave, tão solene...não quero deter-me em dizer coisas que eu acreditaria diminuir ao querer exprimi-las com palavras. O que deseja fazer sua filha é revelar-lhe o que ela sente, ou, para dizer melhor, o que seu Deus lhe manifestou, nas horas de recolhimento profundo, de contato unificante com Ele.
Minha Madre é singularmente amada, amada com aquele amor de preferência que o Mestre teve nesta vida somente por algumas almas e que as leva tão longe na perfeição. Ele não lhe disse como a Pedro: Amas-me mais que estes? (Jo 21,15). Ouça querida Madre, as palavras que lhe dirige: “Deixa-te amar mais que estes!”, isto é, sem temer que nenhum obstáculo te seja obstáculo, porque sou livre de derramar meu amor sobre quem me apraz. “Deixa-te amar mais que estes”, é sua vocação, e somente pela fidelidade a ela tornar-me-ás feliz, porque engrandecerá o poder do meu amor. Este amor saberá refazer o que tiver sido desfeito: “Deixa-te amor mai do que estes!”

Se soubesses minha querida Madre, com que certeza eu compreendo o plano de Deus sobre sua alma!
É como numa imensa luz que Ele me aparece e compreendo também que no céu exercerei, por minha vez, um sacerdócio sobre sua alma. É o Amor que me associa à Sua obra sobre a sua pessoa. Oh, Madre, como ela é grande, adorável da parte de Deus! E, entretanto, tão simples de sua parte. E é justamente isso que a torna tão luminosa. Madre, deixe-se amor mais que os outros! Isto explica tudo e impede à alma qualquer sentimento de assombro.

Se lhe permitir, a sua hostiazinha passará o seu céu no fundo de sua alma; ela a guardará em sociedade com o Amor, crendo no Amor. Este será o sinal da sua habitação nela. Oh,em que intimidade nós viveremos. Madre querida, que sua vida transcorra também nos Céus, lá onde eu cantarei em seu nome o Sanctus eterno. Eu nada farei sem ti diante do trono de Deus. Bem sabe que trago em mim a sua marca e que algo de si mesma comparece com sua filha diante do trono de Deus. Peço-lhe também nada fazer sem mim. Eu virei para viverem si, e desta vez serei sua Mãezinha, eu a instruirei, a fim de que minha visão lhe seja útil,

para que possa dela participar e viver da mesma vida dos bem-aventurados.

Madre venerada. Madre consagrada para mim desde a eternidade, partindo deixo-lhe como herança esta vocação que foi a minha no seio da Igreja militante e que doravante preencherei incessantemente na Igreja triunfante: Louvor de glória da Santíssima Trindade. Madre,”deixe-se amar mais do que estes!”. O seu Mestre quer que cumpra assim sua missão de Louvor de glória. Ele se alegra de poder edificar sua perfeição mediante o amor e para a sua glória, e é ele só que quer operar mesmo que de sua parte nada tivesse feito para atrair esta graça senão aquilo que faz a criatura: obras de pecado e de misérias...Ele a ama assim, Ele ama-a  “mais que os outros.” Ele terá que realizar tudo, irá até ao fim, porque quando uma alma é amada por Ele a este ponto, desta forma, amada com amor imutável e criador, com um amor livre que transforma como lhe apraz, oh! Como essa alma está destinada a alcançar uma perfeição sublime!











Minha Madre, a fidelidade que o Mestre lhe pede, é de permanece em sociedade com o Amor, penetrar e radicar neste Amor que quer marcar a sua alma com o selo do seu poder, de sua grandeza.

Jamais será uma alma superficial se estiver desperta no amor. Mas, nas horas em que não sentir senão o peso esmagador do anonimato, da languidez espiritual, agradá-lo-á ainda, se for perseverante em crer nele muito mais, porque o seu amor é livre e é assim que Ele quer se glorificar em sua alma. Tem então que se deixar amar “mais que os outros”. Isto é, creio eu, o que isto significa...

Viva-o no fundo de sua alma. O meu Mestre faz-me compreender luminosamente que é justamente aí que Ele deseja criar as coisas adoráveis. Ele a chama a render homenagem à Simplicidade do Ser divino e a engrandecer o poder do seu Amor. Creia no seu “porta-voz” e leia estas linhas como vindas Dele.

(Elisabete ilustra agora suas convicções com uma longa citação de Santa Angela de Foligno. São palavras dirigidas por Jesus ou pelo Espírito Santo a Santa Angela)
“Eu te amo, eu te amo mais que qualquer pessoa que esteja neste vale!...
Sou eu que venho, e te trago a alegria desconhecida...Entrarei no fundo de ti.
Ó minha esposa! Eu me apossei e repousei em ti; agora apossa-te e repousa em mim!...
Ama-me! Toda a tua vida me agradará , contanto que tu me ames!...Eu farei em ti grandes coisas, eu serei conhecido em ti, glorificado, clarificado em ti!”

sexta-feira, 10 de março de 2017

HONRAI A SÃO JOSÉ!


Queridos irmãos e irmãs

No Carmelo, o mês de março é todo dedicado a São José. Em cada um dos 30 dias do mês, fazemos uma pequena reflexão sobre São José e escolhemos um pensamento que leve a praticar alguma das suas virtudes.

Porque o Carmelo tem tanta devoção a São José?

Penso que quem tem culpa é a nossa santa fundadora Santa Teresa de Jesus que adquiriu uma grande devoção a São José, e como foi miraculada graças a ele, espalhou no Carmelo, em seus livros e junto às pessoas suas conhecidas essa grande devoção que aumentou na Igreja o fervor e a devoção a São José. A ele dedicou o seu primeiro mosteiro: São José de Ávila, e muitos outros tem São José como patrono. Mas vamos ver alguma coisa do que ela escreveu sobre ele: No Livro da Vida, capítulo 6, v. 6-8:

“Tomei por advogado e senhor ao glorioso São José e encomendei-me muito a ele. Vi claramente que, tanto desta necessidade como de outras maiores de honra e perda de alma, este Pai e Senhor meu me tirou com maior bem do que eu sabia pedir. Não me recordo até agora de lhe ter suplicado coisa que tenha deixado de fazer. É coisa de espantar as grandes graças que Deus me tem feito por meio deste bem-aventurado Santo e dos perigos de que me tem livrado tanto no corpo como na alma.
A outros santos parece ter dado o Senhor graça para socorrerem numa necessidade; desse glorioso Santo tenho experiência que socorre em todas. O Senhor nos quer dar a entender que assim como lhe foi sujeito na terra – pois como tinha nome de pai, embora sendo adotivo, O podia mandar – assim no Céu faz tudo quanto Lhe pede. Isto têm visto, por experiência, algumas outras pessoas, aquém eu dizia para se encomendarem a ele. E assim há muitas que lhe são devotas, experimentando de novo esta verdade.

...........Quisera eu persuadir a todos a serem devotos deste glorioso Santo, pela grande experiência que tenho dos bens que alcança de Deus. Não tenho conhecido pessoa que deveras lhe seja devota e lhe preste particulares obséquios, que a não veja mais aproveitada na virtude; porque ajuda de grande modo às almas que a ele se encomendam. Parece-me que há alguns anos que, cada ano, no seu dia, lhe peço uma coisa e sempre a vejo realizada; se o pedido não sai bem feito ele o endireita para maior bem meu.

Se eu fora pessoa que tivesse autoridade para escrever, de boa vontade me alongaria a dizer muito por miúdo as graças que este glorioso Santo me tem feito a mim e a outras pessoas. Mas, para não fazer mais do que me mandaram, em muitas coisas, serei mais breve do que quisera. ...Só peço, por amor de Deus, que faça a prova quem não me acreditar e verá por experiência o grande bem que é o encomendar-se a este glorioso Patriarca e ter-lhe devoção. Em especial as pessoas de oração sempre lhe haviam de ser afeiçoadas.

É que não se como se pode pensar na Rainha dos Anjos – no tempo em que tanto passou com o Menino Jesus – sem que se dê graças a São José pelo muito que então Os ajudou. Quem não encontrar mestre que lhe ensine oração, tome a este glorioso Santo por mestre e não errará no caminho.”

Lendo este trecho da Santa Madre quem não ficará devota de São José? Faça a experiência e depois nos conte.

Aqui vai também uns escritos de uma carmelita deste Carmelo sobre esse nosso querido Pai:

“Maria, fala-me de José!
Filhinha, o que o Evangelho aplica a mim, aplica-o tu a José!
Se eu disse SIM, ele também!
Se eu obedeci, ele também!
Se ao meu Deus engrandeci, ele o fez junto comigo!
Se muito pouco eu falei, menos ainda ele o fez!
Se muito sofri e chorei, lágrimas dele eu enxuguei!
Se eu me afligi...ele também!
Se me chamam de “Feliz”, chamem a ele também!
                    “Jesus, mostra-me José!
                 Filha, quem me vê, vê José.
               Vês meu coração manso e humilde? Assim era o de José!
            Vês minha oração frequente e simples? Assim era a de José!
          Vês minha vida, servindo sempre? Assim era a de José!
        Como ele trabalhava...assim trabalho Eu!
    Como ele protegia, ensinava, guiava, assim tenho feito Eu!
                                                               Quem me vê, vê José!


domingo, 5 de março de 2017

QUE EXEMPLOS ENCONTRO NO CRUCIFICADO?

Queridos irmãos e irmãs, neste 1º domingo da Quaresma, partilho com vocês este belo texto de S. Tomás de Aquino tirado do livro Exposição sobre o Credo:

“Como disse Santo Agostinho: A Paixão de Cristo é suficiente para ser o modelo de toda a nossa vida. Quem quer que queira ser perfeito na vida, nada mais é necessário fazer senão desprezar o que Cristo desprezou na cruz, e desejar o que nela Ele desejou”.

Nenhum exemplo de virtude deixa de estar presente na Cruz. Se nela buscas um exemplo de caridade, -“ ninguém tem maior caridade do que aquele que dá sua vida pelos amigos” (Jo, 15,15). Ora, foi o que Cristo fez na cruz.

Por isso, já que Cristo entregou a sua vida por nós, não nos deve ser pesado suportar toda espécie de males por amor a Ele.: “O que retribuirei ao Senhor, por todas as coisas que Ele me deu?” ( Sl 115,12).

Se procuras na cruz um exemplo de paciência, nela encontrarás imensa paciência. A paciência manifesta-se extraordinária de dois modos: ou quando alguém suporta grandes males pacientemente, ou quando suporta aquilo que poderia ser evitado e não quis evitar.
Cristo na cruz suportou grandes sofrimentos: “Ó vós  todos que passais pelo caminho, parai e vede se há dor igual a minha!” (Lm 1,12); como a ovelha levada para o matadouro, e como o cordeiro silencioso na tosquia (1Pd 2,23).

Cristo na Cruz suportou também os males que poderia ter evitado, mas não os evitou: “julgai que não posso rogar a meu Pai e que Ele logo não me envie mais que doze legiões de Anjos?” (Mt 26,53)
Realmente a paciência de Cristo na cruz foi imensa! “Corramos com paciência para o combate que nos espera, com os olhos fitos em Jesus, o autor da nossa fé, que a levará ao termo; Ele que, lhe tendo sido oferecida a alegria, suportou a cruz sem levar em consideração a sua humilhação” (Hb 36,17)

Se desejares ver na cruz um exemplo de humildade, basta-te olhar para o crucifixo. Deus quis ser julgado sob Pôncio Pilatos e morrer: “A vossa causa, Senhor, foi julgada como a de um ímpio” (Jo 36,17). Sim, de um ímpio, porque disseram: Condenemo-lo a uma morte muito vergonhosa (Sb2,20).

O Senhor quis morrer pelo seu servo, e Aquele que dá a vida aos Anjos, pelo homem: Fez-se obediente até à morte” (Fl 2,8)
Se queres na cruz um exemplo de obediência, segue Aquele que se fez obediente ao Pai, até a morte: “Assim como pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, também pela obediência de um só homem, muitos se tornaram justos” (Rm 5,19).

Se na cruz estás procurando um exemplo de desprezo das coisas terrenas, segue Àquele que é o Rei e o Senhor dos Senhores, no qual estão os tesouros da sabedoria, mas que na cruz aparece nu, ridicularizado, escarrado, flagelado, coroado de espinhos, na  sede saciado com fel e vinagre, e morto.

Não te deves apegar às vestes e às riquezas, porque dividiram entre si as minhas vestes (Sl 29,29); nem às honras, porque puseram em minha cabeça uma coroa de espinhos que trançaram; nem às delícias, porque na minha sede deram-me vinagre para beber (Sl 68,22).


Comentando este texto da Carta aos Hebreus – “Que apesar de lhe oferecerem alegria, suportou a cruz, desprezando a humilhação dela” (!2,2), Agostinho nos diz: “O homem, Cristo Jesus, desprezou todos os bens terrenos para mostrar que devem ser desprezados.”

Uma Santa Quaresma a todos!

sábado, 18 de fevereiro de 2017

A ESPOSA, O SOL DA FAMÍLIA


Queridos irmãos e irmãs, 

Partilho hoje convosco esta belíssima alocução do Papa Pio XII que é lida no Sábado, Ofício das Leituras desta semana que termina:

Segunda leitura
De uma Alocução a um grupo de recém-casados, de Pio XII, papa

(Discorsi e Radiomesaggi, 11mart. 1942: 3,385-390)              (Séc.XX)

A esposa, o sol da família

A família tem o brilho de um sol que lhe é próprio: a esposa. Ouvi o que a Sagrada Escritura afirma e sente a respeito dela: A graça da mulher dedicada é a delícia do marido. Mulher santa e pudica é graça primorosa. Como o sol que se levanta nas alturas do Senhor, assim o encanto da boa esposa na casa bem-ordenada (Eclo26,16.19.21).

Realmente, a esposa e mãe é o sol da família. É sol por sua generosidade e dedicação, pela disponibilidade constante e pela delicadeza e atenção em relação a tudo quanto possa tornar agradável a vida do marido e dos filhos. Irradia luz e calor do espírito.

Costuma-se dizer que a vida de um casal será harmoniosa quando cada cônjuge, desde o começo, procura não a sua felicidade, mas a do outro. Todavia, este nobre sentimento e propósito, embora pertença a ambos, constitui principalmente uma virtude da mulher

Por natureza, ela é dotada de sentimentos maternos e de uma sabedoria e prudência de coração que a faz responder com alegria às contrariedades; quando ofendida, inspira dignidade e respeito, à semelhança do sol que ao raiar alegra a manhã coberta pelo nevoeiro e, quando se põe, tinge as nuvens com seus raios dourados.

A esposa é o sol da família pela limpidez do seu olhar e o calor da sua palavra. Com seu olhar e sua palavra penetra suavemente nas almas, acalmando-as e conseguindo afastá-las do tumulto das paixões. Traz o marido de volta à alegria do convívio familiar e lhe restitui a boa disposição, depois de um dia de trabalho ininterrupto e muitas vezes
esgotante, seja nos escritórios ou no campo, ou ainda nas absorventes atividades do comércio ou da indústria.

A esposa é o sol da família por sua natural e serena sinceridade, sua digna simplicidade, seu distinto porte cristão; e ainda pela retidão do espírito, sem dissipação, e pela fina compostura com que se apresenta, veste e adorna, mostrando-se ao mesmo tempo reservada e amável.Sentimentos delicados, agradáveis expressões do rosto, silêncio e sorriso sem malícia e um condescendente sinal de cabeça: tudo isso lhe dá a beleza de uma flor rara mas simples que, ao desabrochar, se abre para receber e refletir as cores do sol.

Ah, se pudésseis compreender como são profundos os sentimentos de amor e de gratidão que desperta e grava no coração do pai e dos filhos, semelhante perfil de esposa e de mãe!

Uma boa semana a todos!


sábado, 31 de dezembro de 2016

CANÇÃO DE LOUVOR - SALMO 33

Queridos irmãos e irmãs

Neste último dia do Ano é dia de agradecer a Deus por todos os benefícios que Ele nos deu neste ano que termina. E também refletir sobre o que Ele nos pede para que nosso próximo Ano seja melhor e dê mais glória a Deus. 

Boa medida é ler bem devagar o Salmo 33:

"Todos vocês que obedecem a Deus, o Senhor, alegrem-se por causa daquilo que Ele tem feito!
Louvem a Deus todas as pessoas honestas.
Toquem lira em louvor ao Senhor.
Cantem louvores com acompanhamento da harpa de dez cordas.
Cantem a Deus uma nova canção.
Toquem harpa e gritem bem alto.

As palavras do Senhor são verdadeiras.
Tudo o que Ele faz merece confiança.
O Senhor Deus ama tudo o que é certo e justo.
A terra está repleta do seu amor.

Por meio da sua Palavra, o Senhor fez os céus
Pela sua ordem Ele criou o sol, a lua e as estrelas.
Deus juntou os mares num lugar só
e guardou o oceano em reservatórios.

Que toda a terra tema a Deus, o Senhor.
Que todos os habitantes do mundo O temam!
Pois Ele falou e o mundo foi criado,
Ele deu ordem e tudo apareceu.

O Senhor acaba com os planos maus das nações
Ele não deixa que eles se realizem.
Mas o que o Senhor planeja dura para sempre,
as suas decisões permanecem eternamente.

Feliz a nação que tem o Senhor como o seu Deus!
Feliz o povo que o Senhor escolheu para ser dele!

O Senhor Deus olha do céu e vê toda a humanidade.
Do lugar onde mora Ele observa todos os que vivem na terra.
É Deus quem forma a mente deles
e quem sabe tudo o que fazem.
........
É o Senhor Deus quem protege aqueles que o temem
E é Ele que guarda aqueles que confiam no seu amor.

Ele os salva da morte
E nos tempos de fome os conserva com vida.

Nós pomos a nossa esperança em Deus, o Senhor:
Ele é a nossa ajuda e o nosso escudo.

O nosso coração se alegra por causa do que o Senhor tem feito;
Nós confiamos Nele porque Ele e Santo!

Ó Senhor Deus, que o teu amor nos acompanhe,
pois nós pomos em Ti a nossa esperança!"

FELIZ ANO NOVO A TODOS!


terça-feira, 20 de dezembro de 2016

OS ESPAÇOS QUE DEUS ENCONTROU PARA MANIFESTAR A SUA HUMILDADE


Queridos irmãos e irmãs

Partilho uma pequena reflexão com vocês:

O espaço que Deus encontrou para manifestar a sua humildade:

1.       A natureza humana – Ele se encarnou,
Encontrou suas delícias em estar com os filhos dos homens.

Assumiu a nossa condição humana, aceitou em si as leis da humanidade – a fragilidade de uma criança, em tudo dependente de seus pais ou dos adultos.

Falando dos bens materiais, assumiu a pobreza, nascendo numa gruta, sendo colocado numa manjedoura, sem nenhum conforto a não ser os braços amorosos de sua Mãe, e o carinho de seu pai adotivo.

Eis o NATAL!

2.       Na sua vida adulta, como diz São Paulo: “fez-se obediente até a morte e morte de Cruz”.
E como diz São João: “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”.

Materialmente falando,” não tinha onde reclinar a cabeça”.

Reclinou-a numa pedra, no monte do Getsemani, dizendo o seu FIAT  à vontade de seu amado Pai.

Aceitou então todos os trabalhos da Paixão: as humilhações mais dolorosas, foi esbofeteado, cuspido, flagelado, coroado de espinhos, despido,  e finalmente, encostou sua sagrada cabeça no lenho da Cruz. Entregou seus membros para serem transpassados. De seus lábios saíram sete palavras divinas. Doou o paraíso a um ladrão, entregou-nos sua Mãe, pediu ao Pai que perdoasse o que estavam fazendo com Ele, manifestou a sua sede, mais de almas do que de água, sentiu o mais terrível dos sofrimentos – sentiu-se abandonado pelo seu Deus-Pai, mas não perdeu a confiança e a Ele entregou o seu Espírito, que Ele bem sabia que lhe seria restituído após 3 dias.

EIS O MISTÉRIO DA NOSSA REDENÇÃO!
Que iniciou no mistério da Encarnação.

3.       Mas não parou aí.
Encontrou ainda um outro espaço onde ocultar-se para melhor estar conosco:
O trigo, triturado,  amassado, cozido, transformado em pão, e a uva espremida, transformada em vinho.
Não poderia encontrar elementos mais simples, mais quotidianos, elementos que  são alimentos para o corpo e que Ele transformou, transubstanciou, e tornou alimentos para nutrir a nossa alma.

De uma maneira muito simples, pobre, poderia ficar sempre conosco, no Sacrário ou ainda melhor, no nosso coração – sacrário que Ele mais ama.

EIS O MISTÉRIO DA EUCARISTIA!
Que não poderia ter acontecido sem os outros dois mistérios – Encarnação e Redenção.

Aprendamos com Jesus a sermos humildes, pobres, plenamente unidos à Vontade de Deus, encontrando nossa perfeição em reconhecermos nossas imperfeições, limitações, incapacidades e deficiências, e entregando-as amorosamente nas mãos do Pai, neste Natal e em cada dia do próximo ano.

MENSAGEM PARA O NATAL

Eu vi brilhar a estrela luminosa
Que me indicava o berço do meu Rei,
E na noite calma e misteriosa
Ela parecia se orientar para mim.
Depois ouvi, cheia de encanto
A voz do Anjo que me disse:

“Recolhe-te...
É em tua alma
Que o mistério se cumpriu.
Jesus esplendor do Pai,
Em ti se encarnou.
Com a Virgem Mãe
Estreita o teu Bem-Amado,
Ele é teu”


(Santa Elisabete da Trindade

domingo, 4 de dezembro de 2016

BUSCO A TUA FACE!

Queridos irmãos e irmãs

Este 2º domingo do Advento que tem leituras tão profundas que vale a pena meditar.
Mas vou partilhar convosco a 2ª leitura do Ofício das Leituras de 5ª feira da semana que terminou.

Do livro “Proslógion”, de Santo Anselmo, bispo
(Cap. I: Opera omnia, Edit. Schmitt, Seccovii, 1938, 1,97-100)            (Séc. XII)

O desejo de contemplar a Deus
Vamos, coragem, pobre homem! Foge um pouco de tuas ocupações. Esconde-te um instante do tumulto de teus pensamentos. Põe de parte os cuidados que te absorvem e livra-te das preocupações que te afligem. Dá um pouco de tempo a Deus e repousa nele.
Entra no íntimo de tua alma, afasta tudo de ti, exceto Deus ou o que possa ajudar-te a procurá-lo; fecha a porta e põe-te à sua procura. Agora fala, meu coração, abre-te e dize a Deus: Busco a vossa face; Senhor, é a vossa face que eu procuro (Sl 26,8).
E agora, Senhor meu Deus, ensinai a meu coração onde e como vos procurar, onde e como vos encontrar.
Senhor, se não estais aqui, se estais ausente, onde vos procurarei? E se estais em toda parte, por que não vos encontro presente? É certo que habitais numa luz inacessível, mas onde está essa luz inacessível e como chegarei a ela? Quem me conduzirá e nela me introduzirá, para que nela eu vos veja? E depois, com que sinais e sob que aspecto vos devo procurar? Nunca vos vi, Senhor meu Deus, não conheço a vossa face.
Que pode fazer, altíssimo Senhor, que pode fazer este exilado longe de vós? Que pode fazer este vosso servo, sedento do vosso amor, mas tão longe da vossa presença? Aspira ver-vos, mas vossa face se esconde inteiramente dele. Deseja aproximar-se de vós, mas vossa morada é inacessível. Aspira encontrar-vos, mas não sabe onde estais. Tenta procurar-vos, mas desconhece a vossa face.
Senhor, vós sois o meu Deus, o meu Senhor, e nunca vos vi. Vós me criastes e redimistes, destes-me todos os meus bens e ainda não vos conheço. Fui criado para vos ver e ainda não fiz aquilo para que fui criado.
E vós, Senhor, até quando? Até quando, Senhor, nos esquecereis, até quando nos ocultareis a vossa face? Quando nos olhareis e nos ouvireis? Quando iluminareis os nossos olhos, e nos mostrareis a vossa face? Quando voltareis a nós?
Olhai-nos, Senhor, ouvi-nos, mostrai-vos a nós. Dai-nos novamente a vossa presença para sermos felizes, pois sem vós somos tão infelizes! Tende piedade dos rudes esforços que fazemos para alcançar-vos, nós que nada podemos sem vós.
Ensinai-me a vos procurar e mostrai-vos quando vos procuro; pois não posso procurar-vos se não me ensinais nem encontrar-vos se não vos mostrais. Que desejando eu vos procure, procurando vos deseje, amando vos encontre, e encontrando vos ame.

Uma boa semana a todos!