sábado, 22 de agosto de 2015

AS PORTAS DO SILÊNCIO - 2ª PARTE

Queridos irmãos e irmãs

Como prometi, vai a 2ª parte da meditação do monge cartuxo sobre o silêncio interior:



1.       Fecha a porta às preocupações

A preocupação envenena a existência, pesa no espírito, no coração, na alma. Nunca permita que a inquietação te perturbe. É falta de fé e de confiança em Deus.

Faz generosamente o que puderes, sabendo que o êxito só depende Dele, não de tuas habilidades.

Se em nada procurares a própria glória, viverás numa paz inalterável, mesmo que estejas sobrecarregado de afazeres. Uma só coisa a temer – o pecado.

Jesus triunfa pelo fracasso.
Sê diligente, emprega os meios mais aptos...mas fica convencido de que nada conseguirás a não ser por Ele.
É tão pacificante pensar que o Pai tem em suas mãos o mundo e o coração de todos os homens.

Tudo o que Ele quer acontece. Nada se faz sem que Ele o permita. Por que te agitares com vãs apreensões? Recusa-te a pensar nos teus meios, nos momentos que pertencem a Deus – a oração, leitura, silêncio da regra, senão, lá se vai a serenidade de tua alma.!

Jesus, sereno, diante da tarefa que o Pai lhe deu (salvar a terra e todo o gênero humano).
Salva pela imobilidade e silêncio da Cruz...

O puro amor de Deus é um filtro. Expulsará de tua alma, não apenas tudo que lhe é contrário, mas mesmo o que simplesmente não lhe serve de alimento.

4. Evita as discussões interiores

Qual a fonte das nossas discussões interiores?
- descontentamento com o próximo (suspeitas, etc)
- descontentamento consigo mesmo
- descontentamento com as coisas.

A alma fica feita um tribunal.

Tudo é nada – fora o amor de Deus.

- sobressaltos do amor-próprio, juízos precipitados ou temerários, agitação, desafetos.

Quando te tratam mal, podes crer que na realidade, ninguém te prejudica...Ame ser desconhecido e desprezado. Aceita calado e com mansidão, todo mau tratamento. É a mão amorosa e forte de Deus que através dele procura romper tua soberba.
Recusa remoer...o que te fizeram de mal. Jesus calava...Dá glória a Deus.

Recusa-te qualquer olhar sobre ti mesma. Mergulha na Trindade.

És o que Deus vê. És conhecido só de Deus!

Sê feliz de irradiar o Cristo, mas não te perturbes se tal irradiação for ainda muito discreta...
Ele sabe tudo, Ele pode Tudo! Ele te ama!

Só admita na tua cabeça a imagem de Cristo e de Maria.

Olha, observa, contempla. Neles verás o mundo. Todos os homens são para eles.

Não despregues os olhos do Divino Rosto do Corpo Místico. É teu papel de contemplativo.
Jamais contestes com ninguém. Não adianta nada. Todos estão certos de que têm razão...

Se não és responsável...não tentes convencer. Aceita ser derrubado no primeiro embate. Que a Verdade de Deus vença em ti e nos outros.

Tua alma é um santuário, não um foro (Tribunal.).

5. Combate às obsessões interiores

Não destruirás nem totalmente nem em toda circunstância essas ideias ou imagens que se impõem à tua atenção, insistentes como moscas importunas, perseguindo-te sem cessar por toda parte. Confrontadas com a fé, a inconsistência delas salta aos olhos.

Por exemplo: crer-se menos amado, detestado, perseguido, incompreendido; ter ciúmes ou revolta por causa de uma superioridade real ou imaginária que nos faz sombra; preocupações com os seus; perturbar-se com as imperfeições ou culpas alheias ou próprias – querer agir sobre os outros.

Temperamentos por demais sensíveis, imaginativos, ou inclinação para o autoritarismo ou orgulho – egoísmo não combatido.

6. Terapia

Obsessão gerada pela nossa hipersensibilidade ou amor próprio:
- retificar o próprio julgamento;
- antes de raciocinar, deixar que os nervos se acalmem, assim como as efervescências da imaginação;
- dar espaço. Alguns dias de paciência. As coisas retomarão suas proporções.
- guarda-te de discutir quando estiver agitado ou de decidir, de agir. A emoção perturba a razão. A paixão extravia o julgamento; o amor-próprio torna injusto.
- sê humilde, submete-te ao critério alheio (alguém desinteressado) sobretudo um sacerdote.
- Permanecer  modesto, aberto, dócil – eis o grande remédio contra suas falsas ideias que podem torná-lo infeliz.

Obsessões com fundamento real:

- A Providência corta, cinzela, lustra, martela as almas servindo-se dos que as cercam..
- Defeitos, paixões, faltas, injustiças dos outros nos purificam e libertam do amor-próprio.

Na fé e na humildade oferecer-te aos golpes de Deus e amar esses instrumentos.
- Com Jesus, aceita de coração pacífico e silencioso, ser molestado injustamente. Acima da tempestade, brilha a luz de Jesus; o servo não é mais do que o Mestre.
- Oferece-te como vítima, olhos fixos no crucificado;
- Abraça a cruz que te é oferecida.

7. Não te preocupes contigo mesmo

Não fales de ti. Fora dos momentos breves do exame de consciência, não penses em ti, nem bem, nem mal, para na despertar o amor-próprio, nem desanimar. Não turve a imagem de Deus em Ti.

- Não rumines sobre as dificuldades da tua vida. A vida não é um combate? Tuas dificuldades vêm dos que te cercam, de teus ofícios, de tuas próprias misérias físicas e morais, ou dos 3 juntos.
Seja enérgica com relação a eles. Nada de monólogos alarmistas.
Faz o que puderes e abandona o resto à misericórdia de Deus.
“Deus sabe tudo, pode tudo e me ama”.

- Não contes tuas penas, nem teus sacrifícios. Não aceitastes tudo de uma vez na profissão? Renova cada dia a tua oblação. Deus ama quem dá com alegria. Deixa, pois, o Cristo sofrer em ti.
(Jesus é amigo que nunca falta: “Vinde a mim....”

- Não sejas vaidoso de tua alma. Faz a cada instante a vontade de Deus com as forças e as graças do momento. Nada mais se exige de ti.
Aceita sinceramente teus limites.
Nada recuses a Deus, deliberadamente.
Não te aflijas com tuas impotências, nem com tuas misérias morais. Até o fim seremos pecadores.
Nunca pactue com o mal.
Desapega-te de tua perfeição moral.

Oferece a Deus a santidade de  Jesus, de Maria, dos santos.

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   Enraizar-se em Cristo

Encarnar-se no espaço e tempo que vives.
                A terra é Cristo
                O tempo é Cristo
                Enraíze Nele.
Vive cada minuto aprofundando mais tuas raízes...buscando a vida...vida de Cristo.

Como?

Fazendo o melhor que podes tudo o que fazes. Tudo o que te é pedido.
Não angustiar-se...enraizar.
É Cristo.,..lembra-te.

Nele encontrarás a glória...glória de ser crucificada, imobilizada em cada ação, em cada momento, em cada lugar onde a Vontade divina te colocar.

Não é tempo de ficar olhando para as alturas.
Não é tempo de subir nas árvores para ver Cristo.

Ele te pediu para descer, para ficar em tua casa, contigo, em teu trabalho, em tua oração, em teus afazeres. “Eu estarei contigo”.

Outro tempo virá quando, então, Ele te convidará: “Vem, bendita de meu Pai. Preparei para ti outro lugar, outra morada, outra vida...vida plena.

Lá não haverá mais desarmonias
Lá é a morada da Beleza...nada de feio entra lá.
Lá é a morada da Pureza...nada de impuro entra lá.
Lá é a morada do gozo...nenhuma dor entra lá.
Lá é a morada da Luz e do Sorriso perene...do olhar que contempla...Só contempla...Só ama...Só dá e só recebe AMOR.

Tenta viver o esboço disso aqui na Terra...É possível, se na te esqueceres nem por um momento que
               
A Terra é Cristo
                O tempo é Cristo
                Enraíze Nele.
                Edificada na Fé
                Em contínua ação de graças.

(“Se compreendestes o que te disse, felizes serás se o praticardes”)

Uma boa semana!
               

domingo, 16 de agosto de 2015

AS PORTAS DO SILÊNCIO

Queridos irmãos e irmãs

Hoje, solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao Céu, partilho com vocês a 1ª parte de um texto de um monge cartuxo muito interessante. Penso que vão gostar. Na próxima semana ponho a 2ª parte.



AS PORTAS DO SILÊNCIO

(D,Estevão Chenevière, monge)


Retalhos



“Deus criou tua alma silenciosa; no batismo, num silêncio inviolado. Encheu-a Dele mesmo. O ruído a invadiu abafando a doce voz de Deus. Vota ao silencio batismal, meu irmão!”



Geradores do ruído:

                As lembranças

                               A curiosidade

                                               As preocupações.



1.       Fazer calar o ruído das lembranças



Não evoques, não reavives as más lembranças, nem uma sequer. O mal lastimado foi perdoado. A generosidade do amor presente repara o passado. O mal é um “nada”. De que serve lembrar-se dele?

Pensa unicamente na graça que te salvou. Conserva para Ele um coração filialmente contrito, sereno e terno. É isto a compunção”.



Não evoques, não reavivas nenhuma lembrança profana: o que foste, fizeste, deixaste. Confia a Deus os teus queridos, parentes e amigos. Os pensamentos podem desviar de Deus o teu espírito, perturbando tantas vezes o teu coração, tua confiança na Providência e a fé na bondade de Deus.

Tua imaginação nunca deve, a sangue-frio, transpor a clausura. Só a graça ajuda eficazmente os que amamos; e a conseguiremos em proporção de nossa intimidade com Deus.

Não guardes nenhuma lembrança material concreta disto ou daquilo com as quais não deves mais sonhar: fotos, cartas, flores, relíquias dos entes queridos. Nada conservar. Se não as olhas, de que te serve conservá-las? Prejudicam o silêncio do coração e a sua liberdade.



Fica contente com todo o laço desfeito ou cortado. Não consintas em reatar nenhum deles.

Reduz, tanto quanto a obediência e a verdadeira caridade o permitirem: a comunicação oral e epistolar com o exterior.

Quanto mais fores virgem de figuras humanas, tanto mais resplandecerá em ti a luz da face de Deus.

Sepulta a ternura pelos teus no coração de Deus.

Ama-os Nele. É infinitamente mais profundo e eficaz.

Deseja para os teus amigos o amor de Deus.

2.       Reprime a curiosidade



Não te informes sobre algo pela simples satisfação de saber. A curiosidade é contrária à virgindade da alma. O único necessário para nós é conhecer, adorar, amar e louvar a Deus.



Atira ao mar os acessórios.

Contempla Deus Nele mesmo, na oração, e não nos livros eruditos.



Reprime sobretudo 3 curiosidades:

                A das notícias

                               A da vida dos outros

                                               A curiosidade intelectual, mais perniciosa talvez, porque se mascara com pretextos ilusórios e nos consolida no orgulho.



Ignora de bom grado o que se passa no mundo. Reza por ele sem olhar para trás.



O amor de Deus (que abrange o do próximo) é mais poderoso que tudo para arrastar após Jesus tu e o mundo inteiro contigo. O pensamento que tiveres dele nada acrescenta a esta ação eficaz.



Fixa só em Deus todas as forças vivas de tua alma. Não peça notícias senão por caridade: para causar prazer, quando for oportuno, ou para fazer o bem, não para tua satisfação.



Tudo o que te dizem deste ou daquele, de suas idas e vindas, desperta imagens, reflexões, discussões, críticas interiores, enfim o ruído que Deus detesta.



Se ninguém te comunica nada sobre as coisas ou pessoas, nada perguntes. A ocasião te é favorável! Fixa os olhos sobre o eterno ou no que é reflexo autêntico de sua beleza: a natureza e as almas em que Ele se espelha. Ocupa-te exclusivamente Dele. És um serafim diante Dele. Se por dever precisarem conhecer os acontecimentos do mundo, não se aprofunde neles. Guarde livre e silencioso teu coração.



Basta-te saber quanto Deus ama os homens, que tem nas mãos seus corações e derrama sobre eles os frutos dos méritos dos santos.



Vê o mundo em Deus...e não Deus através do mundo. Sê sacrifício de louvor e a terra será melhor, e abençoada.



Para o sacrário convergem todos os corações do mundo.

Do sacrário partem todas as graças para toda a terra!



Não te ocupes de coisa alguma nem de ninguém, se não és disso encarregado.



Sê feliz por ignorar o que se passa nos ofícios, como são desempenhados, etc. Ama todos os teus irmãos com um amor igual, desapegado.



Não indagues sobre os acontecimentos insólitos da comunidade: quem vêm? Quem está de passagem? Por que tal iniciativa dos superiores? Tal empreendimento?



Tenha horror de te imiscuíres na administração do mosteiro. Reza pelos que são disto responsáveis. Quanto a ti, não reflitas, nem fales neste assunto; nem procures saber o porque disto ou daquilo. Não tenhas nenhum interesse pelo que venhas a saber. Outros foram disto encarregados para que possas ocupar-te unicamente de Deus, na liberdade e no silêncio do espírito. Nada te dizem? Nada de comunicam? Bendize ao Senhor! Ele te poupa o estorvo interior e as comp0licações dos problemas.



Ama com gratidão os que assumem as preocupações por ti. Ajuda com a tua sorridente docilidade. Quanto a ti, aceita “teu estado de despreocupação”. Deus aí te colocou para ser Ele tua única preocupação.

 È sua vontade ser o único sustento de tua alma. Não consintas em dar ouvido nem mesmo atenção aos mexericos da comunidade. Apenas reza pelos que estão em dificuldade,

Não te prestes com facilidade para fazer ou receber confidências. Pensa que exista alguém mais compreensivo que Jesus?



Não permitas que o pensamento inútil sobre o próximo venha embaraçá-lo (o espelho de sua alma).

Se não estás encarregado de velar pelos outros, não te informes da vida alheia; não reflitas a esse respeito, sobretudo com relação aos defeitos e faltas.

Somente reza, para que Deus seja amado e servido por todos. Denuncia (no capítulo) ou chama a atenção dos superiores, segundo o costume, acerca das faltas de que fostes testemunha. Mas sem vigiar, evitando os comentários interiores sobre as intenções ou a maneira como o superior acolhe ou utiliza tua proclamação. Deixa-lhe o cuidado de corrigir, e a Deus o de julgar. Tu, permaneça todo inteiro voltado para Deus só.



Todo pensamento concedido à criatura te reconduz a ti mesmo...Mesmo que todos os outros não sejam o que devem ser, guarda a Paz. Sê-o tu. A tua fidelidade silenciosa e pacífica fará muito mais pelo progresso dos teus irmãos do que tua agitação e recriminações, freqüentemente ineficazes. O exemplo de tua serenidade, tua transparência aos raios de Deus que te habita, levarão mais ao bem que todos os teus discursos e agressividade. Tua alma só deve refletir Deus.



Lê a Sagrada Escritura com um coração humilde, como comungas...com o mesmo fim – achar Deus. Degusta cada versículo, cada palavra ditada por Deus está cheia Dele. Adquirirás nela a ciência dos santos.

(Obs.: Este texto é de um monge anônimo, não é do beato Rafael).

Uma santa semana para todos!

domingo, 9 de agosto de 2015

TERESA DE JESUS, TESTEMUNHA E MESTRA DE ORAÇÃO





Queridos irmãos e irmãs

Neste domingo quero partilhar com vocês uma parte de um artigo do Pe. Pedro Tomás Navajas (carmelita) que foi publicado na revista Teresa de Jesus (nº11, 2011),

“ Teresa de Jesus é um dom do Espírito Santo para todo o tempo, também para o nosso. Como uma fonte no meio de uma praça, a Santa de Ávila, encontra-se disposta a partilhar a água viva da contemplação. Suas palavras, que não saem da moda, tem o perfume do Evangelho, da verdade, da humanidade. Quem se aproxima dela sem prejuízos poderá comprová-lo. Teresa é testemunha e, quem sabe por isso mesmo, mestra de oração.

Todo ser humano é um rastreador de caminhos. Cada um, com sua sede ardente, procura quem o acompanhe a encontrar a Fonte. Não é fácil encontrar guias que ajudem a encontrar a Deus, meta de alegria para todo ser humano.

Teresa de Jesus, a mulher que falou tão bem a linguagem humana e a divina, continua saindo ao encontro de todos os que buscam, disposta a compartilhar sua experiência. Nascida na gratuidade da misericórdia amorosa de Deus sobre ela, não encontra outra maneira melhor de responder que a de dar gratuitamente tudo o que recebeu.

Rastreando seus escritos, temos a sensação de que Teresa nasceu para acompanhar e contagiar a outros a enveredarem pelo caminho da oração; a Igreja assim o reconheceu, ao nomeá-la Doutora para os caminhos do encontro com Deus. Quem a encontra se enche de alegria e encontra nela uma amiga verdadeira, uma companheira fiel, uma confidente lúcida, uma testemunha que sabe o que traz nas mãos, um humilde reflexo do que Deus é para nós.

O encontro com Teresa é sempre fascinante, porque seu testemunho é raiz mais do que folhagem, melodia profunda mais que um cantarolar, testemunha do novo, mais que profeta do desencanto.

........Assombrada a grande bondade de Deus e...de ver sua grande magnificência e misericórdia (V4,10),tentará por todos os meios a seu alcance, sintam o gosto (saboreiem), animar a quantos possa a que entrem também em um assombro diante de um Deus “tão amigo de dar” porque “o amor jamais está ocioso” (M,5,4,10). Continua realizando esta tarefa também hoje e são muitos os que ficam fascinados diante do acerto e lucidez com que acompanha no caminho da oração.

Sua palavra é testemunhal, própria de uma mulher que conta o que viu e ouviu. Ao falar da Oração, não conta coisas, diz o que se passou a ela mesma e, ao fazê-lo, diz o mistério de Deus. Quando alguém lhe abre a porta, Teresa se mete dentro decididamente, muito consciente de que tem que entregar à Igreja o tesouro que traz dentro de si porque não pertence só a ela. “Creio que há poucos que chegaram a experiência de tantas coisas” (V 40,8).

......Comunica sua experiência com verdade. Teresa, tão amiga da verdade, não quer senão “falar de coisas muito verdadeiras” (V 40,3). “A experiência que comunica tem tal força cativante e  contagiante porque nela se palpa, se vê, se ouve, se saboreia a verdade de que só há uma verdade: o Amor, e só uma vida: o Amor, e só um Amor: Deus que busca a comunhão com o ser humano” (Cristina Kaufmann).

Uma boa semana a todos.

domingo, 2 de agosto de 2015

A ESPERANÇA DA VIDA É O INÍCIO E O FIM DE NOSSA FÉ

  Queridos irmãos e irmãs

Neste domingo quero vos apresentar a Carta de Barnabé, 2ª leitura do Ofício das Leituras de hoje. É muito bonita:

A esperança da vida é o início e o fim de nossa fé

"Saúdo-vos na paz, filhos e filhas, em nome do Senhor que nos ama. 

Por serem grandes e preciosas as liberalidades que Deus vos concedeu, mais que tudo e intensamente me alegro por vos saber felizes e esclarecidos. Pois assim acolhestes a graça do dom espiritual, enxertada na alma. Por isto ainda mais me felicito com a esperança de ser salvo, ao ver realmente derramado sobre vós o Espírito vindo da copiosa fonte do Senhor. 


Estou plenamente convencido e consciente de que ao falar convosco vos ensinei muitas coisas, porque o Senhor me acompanhou no caminho da justiça; e sinto-me fortemente impelido a amar-vos mais do que a minha vida, porque são grandes a fé e a caridade que existem em vós pela esperança da vida. Tendo em consideração que, se é de meu interesse por vossa causa partilhar convosco algo do que recebi, será minha paga servir a tais pessoas. Decidi, então, escrever-vos poucas palavras, para que, junto com a fé, tenhais perfeita ciência. 


São três os preceitos do Senhor: a esperança da vida, início e fim de nossa fé; a justiça, início e fim do direito; caridade alegre e jovial, testemunho das obras de justiça. 


Pelos profetas, o Senhor fez-nos conhecer as coisas passadas, as presentes e deu-nos saborear as primícias das futuras. Ao vermos tudo acontecer por ordem, tal como falou, devemos nós, mais ricos e seguros, assimilar o seu temor. 


Quanto a mim, não como mestre, mas como um de vós, mostrarei alguns poucos pontos, pelos quais vos alegrareis nas circunstâncias atuais. 


Nestes dias maus, ele mostra seu poder; empenhemo-nos, pois, de coração em perscrutar os mandamentos do Senhor. Nossos auxiliares são o temor e a paciência; apoiam-nos a generosidade e a continência que, aos olhos do Senhor, permanecem castas, no convívio da sabedoria, inteligência, ciência e conhecimento. "

Uma boa semana a todos.