sábado, 16 de fevereiro de 2019

PROFISSÃO SOLENE DA IRMÃ ALBERTINA DE SANTA MARIA

Queridos irmãos e irmãs

Desde o Natal que a gente não se encontra.

Mas hoje queria transmitir para vocês a cartinha que a nossa Irmã Albertina de Santa Maria redigiu em agradecimento aos que participaram da sua profissão solene e também aos que não puderam participar mas rezaram por ela:


JMJT

Queridos irmãos, irmãs, parentes e amigos

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

A Paz de Cristo!

Depois disto, que nos resta dizer? “ Se Deus está conosco, quem estará contra nós? Quem não poupou o seu próprio Filho e o entregou por todos nós, como não nos haveria de agraciar em tudo junto com Ele? Quem acusará os eleitos de Deus? É Deus quem justifica.” (Rom 8, 31-33).

Essa leitura de São Paulo que tirei por acaso, resume toda minha vida religiosa, porque a minha vocação não provém de mim mesmo, mas do Amor com que Jesus Cristo me amou.

Depois da minha profissão solene, belíssima, o que me resta a dizer? Que Deus tem me amado sem eu merecer, porque eu não tenho nada de bom, e nem sequer me esforcei, que eu me lembre, para que Deus me amasse tanto. Eu só queria amar a Deus de todo o coração, com uma determinada determinação,mesmo caindo.

As vezes meus catequistas me perguntavam: “Por que tu não fazes uma experiência em algum mosteiro?” Eu sempre me recusava. Mas o meu pai, Às 6 horas estava no seu quarto para rezar. Se eu estivesse em casa e precisava sair e ia lhe pedir a bênção, ele não respondia, tão concentrado estava.

Depois que eu entrei no Carmelo é que minha mãe contou que ele queria ter uma filha freira. Eu era a única solteira.  Ele morreu sem ver seu pedido realizado, mas Deus é fiel e realizou seu pedido.

No dia 24 de novembro de 2018, pouco antes da Celebração da Santa Missa que seria às 9:30, chega no portão do Carmelo um grande bolo de noiva cor de rosa e todo enfeitado juntamente com mais ou menos 100 pessoas dançando e cantando com o bolo. Assim entraram na nossa Casa. Nós só escutávamos os cânticos. Depois entregaram na roda para a nossa madre o bolo. Eram todos do Caminho Neo-Catecumenal, grupo ao qual eu pertencia, a maior parte de Caxias, minha cidade, S. Luiz e outras cidades vizinhas. A maioria viajou 12 horas e outras mais. Porém estavam tão alegres e felizes que nem parecia que tinham viajado a noite toda para poder chegar na hora da Celebração.

As pessoas da comunidade local que não conheciam o Caminho Neo-Catecumenal ficaram encantadas, apesar de muitos deles já terem vindo outras vezes ao Carmelo (na tomada de Hábito e na 1ª profissão).

Nosso querido Arcebispo, dom Alberto não pode celebrar pois estava doente. Quem celebrou foi Dom Irineu, o qual fez uma homilia muito bela. Na celebração havia 5 padres e 2 diáconos.
Toda a cerimônia foi emocionante. Dava de tocar a presença de Deus, porque foi  tão bem celebrada, com belos cânticos , alguns cantados pelas irmãs e outros pelos membros do Caminho Neo-Catecumenal. Dom Irineu se emocionou. Minha querida mãe  muito tranquila. Não tirava os olhos de mim, também muito emocionada, assim como minha irmã. O nosso sacristão, Sr. José, se abraçou com a imagem de S. José (que temos na Capela) chorando. Eu chorei e fiz os outros chorarem. e no fim, todos saíram bendizendo a Deus pelo seu Amor.

Depois,  no locutório, os que conseguiram falar comigo, porque alguns não falavam nada, só choravam,  pegavam a minha mão entre as grades e choravam. Eu fazia a mesma coisa, chorava e sorria. Depois toda a comunidade (as irmãs) vieram ao locutório para se despedir dos visitantes. Eles ainda cantaram para nós músicas espanholas e da jornada e outros cânticos do Caminho. Passou tão rápido... Mas depois a festa continuou com as minhas queridas irmãs da comunidade.

D. Alberto ao nos visitar depois, disse que d. Irineu contou toda a cerimônia e disse que “todos ficaram edificados”.

Minha profissão foi belíssima por causa das vossas orações. Agradeço de todo o coração, assim também como os belos cartões e lembranças que me enviaram. Que Deus lhes retribua o triplo mandando santas vocações. Continuem rezando por mim para que eu possa amar a Deus Pai  e a Jesus, como o único  na minha vida, e guarde o meu sim como nossa querida Mãe Santíssima, guardou.

Um grande abraço fraterno, com orações

                                               De sua Irmã em Jesus Cristo

Benevides, 07 de fevereiro de 2019.

Irmã Albertina de Santa Maria 
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Vamos colocar no Youtube a cerimônia da Profissão Solene da Ir. Albertina, assim vocês poderão acompanhar os detalhes. 

Agora vão algumas fotos.






sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

FELIZ NATAL! SANTO ANO NOVO!


JMJT

“Coloque-se nos braços de Maria, bem pertinho
de Jesus e José
e seu Natal será Feliz!
Ele nasceu para ser nosso e para
nos salvar!”
As irmãs do Carmelo de Santa Teresinha
em Benevides, Pará,
Desejam a todos seus irmãos, irmãs,
amigos,parentes e benfeitores
um Santo e Feliz Natal!
e um Ano Novo pleno de serenidade




A Santa Missa nas vésperas do Natal será às 21 horas
e no dia de Natal às 8 horas
na Nossa Capela.

domingo, 30 de setembro de 2018

SOLENIDADE DE SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS

Queridos irmãos e irmãs

Amanhã celebramos a Solenidade da padroeira do nosso Carmelo - Santa Teresinha. Estamos terminando a Novena das Rosas. A Santa Missa amanhã será às 6h25m celebrada pelo Arcebispo de Belém Dom Alberto G. Correa. Terá no final da Missa a bênção das rosas. Desejamos que Santa Teresinha continue cumprindo sua promessa de passar seu Céu fazendo o bem na Terra e derramando as rosas das graças sobre todos aqueles que a invocam com fé e amor.

Quantas coisas se escreveram sobre Santa Teresinha! Mando abaixo alguns links que vocês poderão acessar para conhecer melhor nossa querida Santa:



Vídeos:

⚘ Os três martírios de Santa Teresinha

https://youtu.be/nysCTF2GsNs


⚘ História de uma alma

https://youtu.be/XwchcPiI1jc


⚘ São Pio X e Santa Teresinha

https://youtu.be/MQcK8Jner8Q


⚘ Em que consiste a infância espiritual de Santa Teresinha?

https://youtu.be/LOdFyrOsXg0


⚘ Santa Teresinha: doutora de vida
Padre Paulo Ricardo
(01h00min)

https://youtu.be/ZaAWFIkW0t8


⚘ Santa Teresinha, Lutero e a misericórdia
Padre Paulo Ricardo
(01h00min)

Desejamos a todos uma Boa Semana e amanha uma santa festa de Santa Teresinha

sábado, 26 de maio de 2018

Ó TRINDADE FELIZ!

Queridos irmãos e irmãs

Amanhã a Igreja celebra a Santíssima Trindade. Quanto a refletir e meditar sobre esse magnifico Mistério da nossa Fé!

Pelo Batismo todos nós fomos mergulhados na Trindade e a Trindade habita em nós como em casa própria. Peçamos a Deus a graça de nunca esquecer que somos habitados por Deus. Nunca estamos sós. Jesus garantiu também pelo seu Evangelho essa presença naqueles que nele creem.

No  Carmelo costumamos no dia da Santíssima Trindade fazer a bênção do quintal com água benta. Vamos pelos vários pontos da propriedade benzendo as árvores frutíferas, as plantas, as aves, enfim tudo o que está no caminho. Lembramos a criação do mundo e também rezamos em determinados pontos o Evangelho de São João, capítulo 1: "No princípio era o Verbo......" É uma maneira singela de agradecermos à Santíssima Trindade tudo o que ela nos deu e preparou com tanto amor para nós suas criaturas e seus filhos bem-amados.


Temos no carmelo vários santos e santas que escreveram e tiveram experiências místicas sobre o mistério da Santíssima Trindade, mas vamos partilhar convosco uma poesia da Santa Elisabete da Trindade que vocês já conhecem:

"Vogando em pleno mar, muito a meu gosto,
minha barquinha, ó boa Madre,
fez viagem das mais belas:
numa noite calma, em profundo silêncio,
eu deslizava suavemente sobre o oceano imenso.
sob a abóbada do céu, tudo repousava
e parecia escutar a voz do Eterno.
mas de súbito surgiram umas vagas alterosas
e o leve batel desapareceu, sob as suas águas.
era a TRINDADE a entreabrir-me o seu seio,
e encontrei o meu centro no divino abismo:
não mais me verão na margem, à beira-mar;
eu mergulho no Infinito: eis a minha herança.
a minha alma descansa, nessa Imensidade
e vive com os seus TRÊS como na eternidade"




Uma boa semana a todos!

sábado, 12 de maio de 2018

LOUVEMOS AO SENHOR POR TANTOS DONS!


Queridos irmãos e irmãs

Amanhã, domingo é um dia cheio de comemorações: A Ascensão do Senhor, o Dia das Mães, e o Aniversário da Aparição de Nossa Senhora em Fátima!

Tudo fala  de Deus e leva a Deus. Os apóstolos não se entristeceram com o retorno de Jesus ao Pai porque esperavam alegres o Espírito Santo que Ele prometeu. O Espírito Santo é sinal inegável da sua constante presença junto dos que nele creem.

Quantos dons recebemos do nosso Redentor!: o perdão dos pecados, a sua permanente presença na Eucaristia, o Espírito Santo, e a sua Santíssima Mãe, além do seu Evangelho no qual nos deixou sua doutrina e sua palavra divina.

É um dia portanto de Ação de Graças por tantos dons. Pela Mãe do Céu e pela nossa mãe. Pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo, pelo dom da vida e da eternidade e tantos outros que estão no coração de cada um.

Muitas coisas poderia partilhar com vocês mas tive que escolher então vai este trecho de uma Santa carmelita Madalena de Pazzi que nos fala sobre o Espírito Santo:

“O Espírito é o dispensador dos tesouros que estão no seio do Pai e é o Tesoureiro dos Conselhos que circulam entre o Pai e o Verbo...
Do seio do Pai extrai o poder com dons mais numerosos que as estrelas do céu.

 Do lado do Verbo extrai um amor ardente, mais abundante em frutos que a primavera em flores...

Do coração do Verbo tira uma íntima pureza, mais luminosa que uma água puríssima...

As cataratas do Céu estão sempre abertas para derramar as graças, porém nos não temos sempre aberta a boca do desejo para recebê-las...

 Oh! Quão aberto está o Céu para enviá-lo...Vem, vem, oh Santo Espírito! Venha a união do Pai, a complacência do Verbo, a glória dos Anjos! Tu és o Espírito da Verdade, prêmio dos Santos, refrigério das almas, luz das trevas, riqueza dos pobres, tesouro dos que amam, saciedade dos famintos, consolo dos peregrinos; Tu és Aquele no qual estão contidos todos os tesouros...

O Espírito veio com toda a plenitude de seus dons e entrou no meu coração...Porém não me basta que descanses somente em mim: rogo-te que infundas também nas outras esposas tuas, eleitas e amadas, e em todas as demais criaturas”.

Boa Semana a todos!

sábado, 28 de abril de 2018

SANTIDADE - É PARA TODOS?

Queridos irmãos e irmãs

Amanhã já é o 5º Domingo do Tempo Pascal. Você já pensou em ser santo? 
Recomendo que leiam com atenção a EXORTAÇÃO DO PAPA FRANCISCO: ALEGRAI-VOS E EXULTAI, publicada no princípio deste mês de Abril. Para você se animar a lê-la na íntegra, transcrevo abaixo apenas um trecho:


14. Para ser santo, não é necessário ser bispo, sacerdote, religiosa ou religioso. Muitas vezes somos tentados a pensar que a santidade esteja reservada apenas àqueles que têm possibilidade de se afastar das ocupações comuns, para dedicar muito tempo à oração. Não é assim. 

Todos somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações de cada dia, onde cada um se encontra. És uma consagrada ou um consagrado? Sê santo, vivendo com alegria a tua doação.

 Estás casado? Sê santo, amando e cuidando do teu marido ou da tua esposa, como Cristo fez com a Igreja. 

És um trabalhador? Sê santo, cumprindo com honestidade e competência o teu trabalho ao serviço dos irmãos. 

És progenitor, avó ou avô? Sê santo, ensinando com paciência as crianças a seguirem Jesus. 

Estás investido em autoridade? Sê santo, lutando pelo bem comum e renunciando aos teus interesses pessoais.[14]

15. Deixa que a graça do teu Batismo frutifique num caminho de santidade. Deixa que tudo esteja aberto a Deus e, para isso, opta por Ele, escolhe Deus sem cessar. Não desanimes, porque tens a força do Espírito Santo para tornar possível a santidade e, no fundo, esta é o fruto do Espírito Santo na tua vida (cf. Gal 5, 22-23). Quando sentires a tentação de te enredares na tua fragilidade, levanta os olhos para o Crucificado e diz-Lhe: «Senhor, sou um miserável! Mas Vós podeis realizar o milagre de me tornar um pouco melhor».

 Na Igreja, santa e formada por pecadores, encontrarás tudo o que precisas para crescer rumo à santidade. «Como uma noiva que se adorna com as suas joias» (Is 61, 10), o Senhor cumulou-a de dons com a Palavra, os Sacramentos, os santuários, a vida das comunidades, o testemunho dos santos e uma beleza multiforme que deriva do amor do Senhor.

16. Esta santidade, a que o Senhor te chama, irá crescendo com pequenos gestos. Por exemplo, uma senhora vai ao mercado fazer as compras, encontra uma vizinha, começam a falar e… surgem as críticas. Mas esta mulher diz para consigo: «Não! Não falarei mal de ninguém». Isto é um passo rumo à santidade. Depois, em casa, o seu filho reclama a atenção dela para falar das suas fantasias e ela, embora cansada, senta-se ao seu lado e escuta com paciência e carinho. Trata-se doutra oferta que santifica. Ou então atravessa um momento de angústia, mas lembra-se do amor da Virgem Maria, pega no terço e reza com fé. Este é outro caminho de santidade. Noutra ocasião, segue pela estrada fora, encontra um pobre e detém-se a conversar carinhosamente com ele. É mais um passo."

Não é belo? Uma boa semana para todos.




domingo, 15 de abril de 2018

A CONTEMPLAÇÃO SEGUNDO SANTA TERESA DE JESUS

Queridos irmãos e irmãs

Neste 3º domingo da Páscoa em que os apóstolos, perplexos, contemplavam o Cristo Ressuscitado que apareceu no meio deles enquanto faziam uma refeição, e lhes mostrou as chagas e lhes pediu um alimento, e lhes falou palavras divinas sobre Sua Pessoa, partilho convosco o que pesquisei no Dicionário de Santa Teresa quando fala da Contemplação. O que é a contemplação para Santa Teresa de Jesus. Vejamos:

"
CONTEMPLAÇÃO

1. Em geral

Teresa entende por “contemplação” uma forma de oração superior a meditação e estruturalmente diversa desta. A meditação é discursiva. A contemplação não, é antes intuitiva. Aquela é racional, fundamentalmente obra do entendimento e orientado para a vontade e a ação. A contemplação afeta diretamente a vontade e envolve toda a pessoa do orante, a toda a sua afetividade anímica, num simples fluxo de atividade e passividade. Realiza uma especial relação do homem com Deus, prepara a união mística e perdura nos altos graus da mesma. Teresa distinguirá os atos ou momentos passageiros de contemplação, e o “estado de contemplação”, que coincidirá nos escritos teresianos com os altos graus da experiência mística, quando o sujeito se sensibilizou e co-naturalizou com a presença e a ação de Deus nele.
Embora sem lhe dar o nome de “contemplação”, Teresa dedica-lhe uma espécie de instantânea descritiva no primeiro capítulo do Livro da Vida, ao recordar a eclosão de sua sensibilidade infantil, pensando na eternidade ou abandonando-se ao desejo de ver a Deus: Espantava-nos muito a afirmação, no que líamos, de que a pena e a glória eram para sempre. Ocorria de passarmos muito tempo tratando disso e nos agradava dizer muitas vezes: para sempre, sempre, sempre! Por dizer isso muito devagar, ficava impresso em mim, em tão tenra idade, o caminho da verdade” (1,4). Sublinhei os vocábulos mais indicativos da modulação contemplativa infantil: “espantava-nos muito” (assombro), “passar muito tempo” (enlevo prolongado), “caminho da verdade impresso em mim” (índice inicial de infusão ou de passividade contemplativa).
Rara vez ela aludirá ao ato natural de contemplar algo, como a paisagem ou a água ou o rosto de uma criança. Atesta-o somente de passagem: “Eu também me beneficiava de ver campos, águas, flores; encontrava nessas coisas a lembrança do Criador, isto é, elas me despertavam e me recolhiam, servindo-me de livros” (V 9,5; na R 1,11 completa a série: “quando vejo alguma coisa formosa, rica, como água campos, flores, odores, música...”, mas nesta passagem já os transcendendo desde a alta contemplação do divino).
 Do ponto de vista psicológico, na contemplação - segundo ela - estão “atados” o entendimento e a fantasia. É clássico seu momento de auto-análise: “Este entendimento [abarca a entendimento e imaginação] está tão perdido [na contemplação], que não parece senão um louco furioso, que ninguém pode atar, nem sou senhora de fazê-lo estar quieto um credo... Conheço mais então a grandíssima mercê que me faz o Senhor quando tem atado este louco em perfeita contemplação” (V 30,16) do ponto de vista pedagógico, no magistério teresiano há dois modos de superar e discorrer da meditação: uma, com a simples superação da oração discursiva, que ela chama “recolhimento” ou “oração de recolhimento”, e a outra já em “contemplação mística” que ela alguma rara vez designará com o termo teológico latinizante “infusa”: “luz infusa” (M 6,9,4), “resplendor infuso” (V 28,5), “sabedoria infundida” (C 6,9). Só para esta reserva o nome de “contemplação”. Costuma qualificá-la de “contemplação perfeita” (V 22 passim; C 16; 25,1; 27-28; M 6,7,7; F 4,8...); em seus graus místicos mais elevados: “subida contemplação” ou “subidíssima contemplação” (V 8,11; 22 tít...; CE 60,2), “cume de contemplação” (V 22,7; Conc 5,3).
As notas características da contemplação infusa são, segundo ela, do ponto de vista psicológico, a fixação da mente em qualquer um dos aspectos do “mistério”, com a conseqüente cessação do fluxo de pensamentos de imagens: Teresa titubeia entre as duas fórmulas “o entendimento não discorre” ou “não obra”, ainda que esta última corrigi-la-ão os teólogos censores. Mais importante é sua origem: do ponto de vista genético, “é coisa dada por Deus” (C 17,2), “coisa sobrenatural” (V 23,5...); ou seja, é pura iniciativa de Deus em nós, pura graça: “sem o rumor das palavras, esse Mestre divino está lhe ensinando, suspendendo-lhe a atividade do intelecto, porque esta, nessa circunstância, antes prejudicaria que beneficiaria; a alma goza sem entender como. Ela está abrasando-se em amor e não entende como ama; sente deleitar-se naquilo que ama e não sabe como Ela bem entende que o seu intelecto nunca alcançaria esse prazer; é tomada por uma intensa vontade sem compreender como... Ele é dom do Senhor do céu e da terra, que o dá como quem é. Esta, filhas, é a contemplação perfeita” (C 25,2). Teresa insiste repetidas vezes em que não existem técnicas oracionais que produzam este gênero de contemplação ou introduzam nela. Em nítida contraposição com as duas formas de oração mental e vocal: “pensar e rezar.. Nessas duas coisas, também podemos fazer alguma coisa, com o favor de Deus; na contemplação de que acabei de falar, nada está ao nosso alcance: Sua Majestade é quem faz tudo, pois é obra Sua, que está além da nossa natureza” (ib 3).

2. O ingresso na contemplação

É tradicional a graduação da oração em três etapas sucessivas: vocal, mental-meditativa, contemplação. Também Teresa mantém essa sucessão, com certa perspectiva cronológica ou pedagógica (C 25). Mas sem caráter inflexível. Ao contrário, está convencida de que é na graça da contemplação mística, onde Deus manifesta mais ostensivamente sua gratuidade incondicional. É muito possível a passagem da oração vocal à contemplativa: “Digo-vos que é muito possível que estando rezando o Pai Nosso vos ponha o Senhor em contemplação perfeita” (C 25,1: reiterado em C 30,7).
De fato, “algumas vezes, Deus vai querer conceder a pessoas em mau estado esse enorme favor, a fim de tirá-las, por esse meio, das mãos do demônio” (C 16,6). Ele pode “algumas vezes elevar uma alma distraída à perfeita contemplação” (é o título do c. 16 de C). “há almas que Deus entende poder, por esse meio, atrair para Si; vendo-as totalmente perdidas, não quer Sua Majestade que algo lhes falte de Sua parte. Ainda que estejam em mau estado e carentes de virtudes, Ele lhes dá gostos, consolos... chegando até a pô-las em contemplação, mas raras vezes e por pouco tempo... (C 16,8). Seria, segundo ela, o caso de São Paulo no caminho de Damasco (“a São Paulo o pôs logo no cume da contemplação”: Conc 5,3). Mais freqüentemente, como testemunhas dessa espécie de exceção, proporá a são Paulo e a Madalena (C 40,3; M 1,1,3). São mostras excepcionais da liberdade e gratuidade absolutas com que Ele outorga “a quem quer” o dom da contemplação. Contudo, o normal é que a conceda a quem se dispôs adequadamente para receber esse dom de Deus.
A Santa assinalou o momento de ingresso na contemplação em três passagens diversas: a) no Livro da Vida c. 10; b) no Caminho, 28 e ss.; c) nas quartas Moradas.
a) No Livro da Vida 10, limita-se a constatar seu caso pessoal: “eu tinha começado a sentir às vezes, embora com brevidade, o que passo a relatar. Vinha-me de súbito, na representação interior de estar ao lado de Cristo..., tamanho sentimento da presença de Deus que eu de maneira alguma podia duvidar de que o Senhor estivesse dentro de mim ou que eu estivesse toda mergulhada nele” (10,1). “Acredito ser o que chamam de teologia mística”, acrescentará em seguida. Esse ingresso na contemplação primeiriza da presença de Deus foi preparado por um longo e penoso período de luta: “combatendo, em vez disso, uma sombra da morte, sem que ninguém me desse vida”, afirma sintetizando esse processo (V 8,12). Noite cerrada, que havia culminado no que chamamos “conversão” de Teresa (ib 9). Na realidade foi sua “conversão a Cristo” a que fez de portão de acesso ao oásis da contemplação. O ponto de arrimo descreve-o assim: “Isto não era a modo de visão... a alma fica suspensa de tal modo que parece estar fora de si; a vontade ama, a memória parece estar quase perdida, o intelecto não discorre [“não obra”, havia escrito primeiro], mas, a meu parecer, não se perde; entretanto, repito, também não age, ficando como que espantado com o muito que alcança, porque Deus lhe dá a entender que ele nada compreende daquilo que Sua Majestade lhe representa” (10,1).
Passando do testemunho autobiográfico ao meramente doutrinal, retomará o tema nos capítulos 14-15 do Livro da Vida, onde pontualizará mais detalhadamente as diferenças entre “primeira e segunda água”, ou seja, entre oração ascética, ainda que seja sumamente simplificada (V 13,22), e oração de quietude e gostos “que são as sobrenaturais” (ib 14 tít.).
b) No Caminho, a chegada à contemplação se apresenta como término da “oração de recolhimento”. Sucessão sem continuidade. Já no Livro da Vida apontou a existência desse estádio prévio: “Antes [ou seja, antes do ingresso na “mística teologia”], eu tivera continuamente uma ternura que, em parte, é possível procurar...” (V 10,2). Voltará a apontá-lo no final desse primeiro grau de oração (V 13,22). Agora, no Caminho, exporá extensamente a chamada “oração de recolhimento” (cf c. 28 tií.), e a descreve como uma simples práxis que ultrapassa a simples meditação e que é normalmente acessível a quem a pratica. Com a peculiaridade de preparar o terreno para a recepção da graça de contemplação: “bom fundamento para que, se quiser elevar-nos a grandes coisas, o Senhor encontre em nós disposição” (C 29,8). Essas ‘grandes coisas’ acontecerão a partir da oração de “quietude”, de que tratará em seguida (cc. 30-31) e que será o ingresso na contemplação.
A exposição do Caminho tem intenção pedagógica: é certo que Deus outorga gratuitamente seu dom de “contemplação”. Mas o normal é que o sujeito se encontre preparado. O que exige uma série de doses ascéticas (amor, desapego, humildade, sede da água viva...), e um processo de interiorização da oração, que ela condensa na pequena técnica do recolhimento.
c) Por fim, no Castelo Interior reserva uma sessão das moradas - as quartas - para codificar a etapa de transição, do recolhimento à primeira oração contemplativa: a oração de “quietude”. Desenhá-las-á com o delicado símbolo das fontes: fontes com canais e aquedutos, que transportam a água ao interior do castelo trabalhosamente, a base de esforço humano; e reservatório que mana e verte água desde o mais profundo do castelo e se expande pelas moradas todas silenciosamente, como as águas de Siloé, dilatando o coração (M 4,2,1-5).

3. Os graus da contemplação

Teresa escreve seus textos a partir do alto de sua experiência mística. Daí que o estabelecer graduação ao processo de relação “alma-Deus”, conceda sempre atenção especial às etapas místicas. E que as estas as meça pelo parâmetro da oração contemplativa. As duas exposições mais importantes se encontram no Livro da Vida (a), e em Moradas (b).

a) no Livro da Vida (cc. 14 e ss.) propõe três graus de contemplação infusa. No símil de horto de regar, 2ª, 3ª, e 4ª águas. A saber:
-no primeiro grau de contemplação infusa seria a oração de quietude: infusão de amor. Enlevo da vontade, em que faz de talismã o “Bem de Deus”, sua bondade, amor, beleza, misericórdia... Pequena porta de ingresso no espaço da experiência do divino.
-o segundo grau seria já o ingresso nas formas extáticas, que Teresa chama “sono das potências” (c. 16,2), “embriaguez de amor”, “embriaguez da alma” (V 16,2; 18,13: imagens que abundarão em seguida nos Conceitos 4,3-5; 6,3).
-o terceiro grau seria a ‘união’, não só da vontade humana com a de Deus, mas do pobre espírito humano com o divino. Teresa dirá que, chegada a esse ponto, crescia nela “um grande amor de Deus, que não sabia quem lhe infundia, porque era muito sobrenatural”. “Querendo divertir (=distrair), nunca saía da oração. Mesmo dormindo me parecia que estava nela... Aqui era crescer o amor...” (V 29, 7-8).
b) No Castelo Interior, escrito já em plena maturidade, Teresa proporá outra graduação, ligeiramente diversa, mas mais certeira. As três primeiras moradas assinalarão três momentos da oração meditativa. As três últimas (quintas, sextas e sétimas), três graus de contemplação. Entre aquelas e estas, intercalará as quartas, que proporão uma oração de “quietude” como fase de transição e ingresso no estado de contemplação infusa. E esta última se reverterá em um processo de união com o mistério divino: união inicial da alma com Deus nas quintas moradas; união extática (“Vivo já fora de mim”) nas sextas moradas; e união consumada 
(“Já toda me entreguei e dei”), união em certo modo indissolúvel nas sétimas moradas: “Aqui [neste grau de contemplação] é... como se um pequeno arroio se lançasse no mar, não havendo mais meio de recuperá-lo” (M 7,2,4).