sábado, 27 de agosto de 2016

JESUS CRISTO,CENTRO DA NOSSA VIDA

Queridos irmãos e irmãs

De 15 a 21 de agosto Belém foi sede do XVII Congresso Eucarístico Nacional.

Foi realmente uma semana inesquecível. Pudemos acompanhar pela TV algumas celebrações.

Fez-nos refletir como é importante e gratificante saber que Cristo habita esta cidade, este Brasil, este mundo, e está conosco a cada momento, se lhe abrimos a porta do nosso coração.

Ele não podia ter encontrado uma maneira mais simples e singela de cumprir o que prometeu: Estarei convosco até o fim dos tempos!

Resta saber se nós estamos sempre com Ele, atentos à sua presença em nós e em nossos irmãos.

Se somos de comunhão diária, é bom examinar-se se não estamos transformando em uma rotina essa visita diária de nosso Deus e Amigo.

Aproveitamos esses momentos para conversar com Ele, colocar-lhe nossos problemas, nossas dificuldades.Aproveitamos para apresentar-lhe nossos pedidos? Aproveitamos para ficar em adoração silenciosa, cheia de ação de graças?

Uma boa semana a todos, bem juntinho de Jesus Eucarístico.


sábado, 13 de agosto de 2016

A PÁGINA MAIS BELA DE SANTA TERESA DE JESUS

Queridos irmãos e irmãs

Muito se fala sobre a dignidade humana, e em todas as épocas, muitas vezes a pessoa humana foi tratada desumanamente, sem respeito, sofrendo toda espécie de violência.

Hoje gostaríamos de partilhar uma página da Santa Madre Teresa de Jesus no Livro das Moradas, 1ª Morada. Claro que cada um pode descobrir nas obras da Santa Madre (Caminho da Perfeição, Castelo Interior, Fundações, Livro da Vida, etc.) páginas admiráveis! Mas reflita sobre esta:


"Estando eu hoje suplicando a Nosso Senhor que falasse por mim - porque não ativava com coisas que dissesse, nem como começar a cumprir a obediência - ofereceu-me o que agora direi para começar com algum fundamento:

É considerar a nossa alma como um castelo todo de um diamante ou mui claro cristal, onde há muitos aposentos, assim como no Céu há muitas moradas. Que se bem o considerarmos, irmãs, não é outra coisa a alma do justo, senão um paraíso onde Ele disse ter Suas delícias. Pois não é isso que vos parece que será o aposento onde um Rei tão poderoso, tão sábio, tão puro, tão cheio de todos os bens se deleita? Não encontro eu outra coisa com que comparar a grande formosura de uma alma e a sua grande capacidade.

Verdadeiramente os nossos entendimentos - por agudos que sejam - apenas devem chegar a compreendê-la, assim como não podem chegar a considerar a Deus: pois Ele mesmo disse que nos criou à Sua imagem e semelhança.

Pois se isto assim é, como é, não há razão para nos cansarmos a querer compreender a formosura deste castelo; porque, ainda que há diferença dele a Deus, como do Criador à criatura, pois é criatura, basta dizer Sua Majestade que a alma é feita à Sua imagem, para que possamos entender a grande dignidade e formosura da alma.

Não é pequena lástima e confusão, que por nossa culpa, não nos entendamos a nós mesmos, nem saibamos quem somos. Não seria grande ignorância, que perguntassem a alguém quem era e não se conhecesse nem soubesse quem foi seu pai, nem sua mãe, nem sua terra?

Pois, se isto seria grande bruteza, sem comparação é maior a que há em nós quando não procuramos saber que coisa somos e só nos detemos nestes corpos, e assim só a vulto sabemos que temos alma, porque o ouvimos e porque no-lo diz a fé. Mas, que bens pode haver nesta alma ou quem está dentro dela, ou o seu grande valor, poucas vezes consideramos, e assim se tem em tão pouco procurar com todo o cuidado conservar sua formosura. Tudo se nos vai na grosseria do engaste ou cerca, deste castelo, que são estes corpos."

Deixo o restante para que cada um pesquise, leia, e reflita.

Uma boa semana a todos!


terça-feira, 9 de agosto de 2016

SANTA TERESA BENEDITA DA CRUZ


Queridos irmãos e irmãs

Hoje dia em que o Carmelo celebra a memória de Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein), partilhamos com vocês a 2ª leitura do Ofício das Leituras, de sua memória:


“AVE CRUZ, SPES ÚNICA!”
Saudamos-te, Cruz Santa, nossa única esperança!” assim a Igreja nos faz dizer no tempo da paixão, dedicado à contemplação dos amargos sofrimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo.

O mundo está em chamas: a luta entre Cristo e o anticristo encarniçou-se abertamente, por isso, se te decides por Cristo, pode te ser pedido também o sacrifício da vida.

Contempla o Senhor que pende do lenho diante de ti porque foi obediente até a morte de cruz. Ele veio ao mundo não para fazer a sua vontade, mas a do Pai. Se queres ser a esposa do Crucificado deves renunciar totalmente à tua vontade e não ter outra aspiração senão a de cumprir a vontade de Deus.

À tua frente o Redentor pende da Cruz despojado e nu, porque escolheu a pobreza. Querm quer seguí-Lo deve renunciar a toda a possa terrena.

Estás diante do Senhor que pende da Cruz com o coração despedaçado; ele derramou o sangue de seu coração para conquistar o teu coração. Para poder segui-lo em santa castidade, o teu coração deve ser livre de toda aspiração terrena: Jesus Crucificado deve ser o objeto de todo o teu anseio, de todo o teu desejo,, de todo o teu pensamento.

O mundo está em chamas: o incêndio poderia pegar também em nossa casa, mas, acima de todas as chamas, ergue-se a Cruz que não pode ser queimada. A Cruz é o caminho que conduz da terra ao Céu. Quem a abraça com fé, amor, esperança é levado para o alto, até o seio da Trindade.

O mundo está em chamas: desejas extingui-las? Contempla a Cruz – do Coração aberto jorra o sangue do Redentor, sangue capaz de extinguir também as chamas do inferno. Através da fiel observância dos votos, torna o teu coração livre e aberto; então poderão ser despejadas nele as ondas do amor divino; sim, a ponto de fazê-lo transbordar e torná-lo fecundo até os confins da terra.
Através do poder da Cruz, podes estar presente em todos os lugares da dor, em toda parte para onde te levar a tua compassiva caridade, aquela caridade que haures do Coração divino e que te torna capaz de espargir, por toda parte, o seu preciosíssimo sangue para aliviar, salvar, redimir.


Os olhos do Crucificado fixam-te a interrogar-te, a interpelar-te. Queres estreitar novamente, com toda seriedade, a aliança com Ele? Qual será a tua resposta? “Senhor, aonde irei? Só tu tens palavras de vida”. Ave Crux, spes única!


Uma boa semana para todos

sábado, 30 de julho de 2016

CHAMADA PARA SER MONJA


Queridos irmãos e irmãs

No próximo domingo teremos no Carmelo um encontro com jovens vocacionadas, ou melhor que estão no processo de discernimento vocacional.

Pensando sobre o assunto se entrevistássemos cada sacerdote, religiosa ou consagrada sobre como foi o seu chamado à vida religiosa, sacerdotal ou de consagração à Deus, veríamos que cada um contaria uma história diferente.

Deus chama quem quer, onde quer e como quer, e não se repete.

Mas é belo ver a obra de Deus em cada alma que Ele chama e procura, antes mesmo desta alma começar a procurá-Lo.

Vamos ver resumidamente como foi o processo vocacional  da santa fundadora das Carmelitas Descalças – Santa Teresa de Jesus.

A gente encontra o relato de sua vocação no Livro da Vida, capítulos 3, 4...

Uma vez, refletindo sobre suas motivações vocacionais ela vê que eram um tanto egoístas:
- livrar-se do purgatório
- “Também tinha uma grande amiga em um outro mosteiro. Isto era motivo para se tivesse que ser freira, só o ser onde ela estava. Nisto olhava mais o gosto da minha sensibilidade e vaidade do que ao bem que me ia à alma” (V 3,2);
- Temia casar-se (V 3,2
-“Embora a minha vontade não acabava de se inclinar a ser freira, vi, no entanto, que era o melhor e mais seguro estado e assim, pouco a pouco determinei-me a forçar-me para o tomar”  (V 3,5)

Ela conta muitas outras coisas:

Quando seu pai a colocou no mosteiro das Agostinianas para estudar, ali ficou um ano e meio e diz ela que melhorou muito na sua conduta. “Comecei a rezar muitas orações vocais e a procurar que todas me encomendassem a Deus, para que me desse o estado em que O havia de servir. Mas no entanto, desejava não fosse o de freira. Este, não fosse Deus servido de mo dar, embora também temesse casar-me” (V 3,2)

Terminado o tempo que ali esteve, “já tinha mais afeição a ser freira, embora não naquela casa...” “Esses bons pensamentos de ser freira, vinham-me algumas vezes e logo se afastavam e não podia persuadir-me a sê-lo”.

Saindo do mosteiro e indo para a casa de um tio, este tinha bons livros que ela dedicou-se a ler.
“Oh, valha-me Deus, por que meios me andava Sua Majestade dispondo para o estado em que Se quis servir de mim! Sem o querer, forçou-me a eu me fazer força! Bendito seja para sempre” (V 3,4).

“Ali, na casa de meu tio, fui entendendo a verdade tal como em pequena: que tudo era nada, a vaidade do mundo, como acaba em breve, e a temer, se tivesse morrido, de ter ido para o inferno. E, embora minha vontade não acabava de se inclinar a ser freira, vi, no entanto que era o melhor e mais seguro estado e assim, pouco a pouco determinei-me a forçar-me para o tomar” (V 3, 5)

“Nesta batalha estive 3 meses, forçando-me a mim mesma com esta razão: os trabalhos e pena de ser freira não podiam ser maiores que os do purgatório e eu bem havia merecido o inferno. Não era, pois, muito passar o que ainda vivesse como num purgatório: depois iria direita ao Céu, que era este o meu desejo” (V 3,6)

“Neste movimento de tomar estado, mais me movia – me parece – um temor servil que o amor. Punha-me o demônio que não poderia sofrer os trabalhos da Religião por ser tão amimada. Disto me defendia eu com os trabalhos que passou Cristo: não era muito que eu passasse alguns por Ele. Ele me ajudaria a levá-los...passei grandes tentações nestes dias” )V 3,6).

Finalmente decidiu-se a falar com seu pai sobre seu desejo de ser monja. Seu pai lhe respondeu que só quando ele morresse. Resolveu então fugir de casa e ir para o mosteiro onde estava sua amiga.

Na sua última determinação já estava de modo que iria para qualquer convento onde pensasse servir mais a Deus ....”Recordo-me...que quando sai de casa de meu pai foi tal a aflição que eu não creio será maior quando eu morrer. Parece que cada osso se me apartava de per si, pois como não tinha amor de Deus a contrabalançar o amor de pai e parentes, fazia-me tudo uma força tão grande que, se o Senhor não me ajudar, não teriam bastado as minhas considerações para ir por diante. Aqui deu-me o Senhor ânimo contra mim, de maneira que o pus por obra

.” Recebendo o Hábito, logo o Senhor me deu a entender como favorece aos que se esforçam para O servir. ...Na altura deu-me um tão grande contentamento de ter aquele estado que nunca jamais me faltou até hoje. Deus mudou a aridez da minha alma numa grandíssima ternura. Davam-me deleite todas as coisas da Religião. E verdade é andar algumas vezes varrendo a horas a que antes costumava ocupar em meus regalos e enfeites e, lembrando-me que estava livre daquilo, me dava um novo gozo que me espantava e não podia entender por onde me vinha. (V 4, 1-2).

E segue por aí adiante contando o sua alegria de ter respondido sim ao chamado de Deus.


Uma boa semana a todos.

sábado, 2 de julho de 2016

QUER SABER COMO COMEÇOU A DEVOÇÃO AO ESCAPULÁRIO DE N. SENHORA O CARMO?

Queridos irmãos e irmãs

A  festa dedicada a Nossa Senhora do Carmo que celebraremos no próximo dia 16 de julho começou assim:

O Papa Honório III redigiu no dia 30 de janeiro de 1226 a Bula de aprovação da Regra e a Confirmação da Ordem do Carmo. Em consequência desse fato a Ordem instituiu a Festa Solene de Nossa Senhora do Carmo, que se celebra no dia 16 de julho.

E o Escapulário?

Em 1245, Simão Stock é eleito sub-prior-geral da Ordem Carmelitana, mas o seu elevado cargo só lhe servia de cruz. Vivia desconsolado por causa das opressões invencíveis que os seus religiosos padeciam. Muitos se opunham ao fato deles serem chamados “Irmãos da Bem Aventurada Virgem Maria”, como se eles tivessem culpa de serem favorecidos pela proteção celestial de Maria.

 Simão Stock rogava então com repetidas instâncias à clementíssima Senhora de que era filho, que confirmasse a Bula de Honório III.

 Em 1251, com ardorosas palavras lhe compunha louvores entre eles a conhecida antífona: Flor do Carmelo, Vide florida, Resplendor do Céu, Virgem fecunda e singular; Mãe aprazível, sem conhecer varão, à vossos carmelitas de privilégios, ó Estrela do Mar!

Acabava o Santo de dizer essas doces palavras, quando a Virgem Santíssima lhe apareceu, vestida do hábito da Ordem, coroada de cintilantes estrelas, e tendo o seu divino Filho nos braços. Trazia nas mãos o Escapulário, e entregando-o a Simão lhe disse:

“Meu muito amado filho; recebe este Escapulário da tua Ordem, sinal da minha confraternidade, privilégio para ti e todos os carmelitas; quem com ele morrer, não padecerá o fogo eterno. Eis o sinal da salvação, a salvação nos perigos, contrato de paz e aliança para sempre”.

Daí a devoção se estendeu a toda a Ordem e depois a toda a Igreja. Muitos são agora os devotos do Santo Escapulário.

São Simão escreveu então entre outras estas palavras a seus co-irmãos:

“Conservando pois, meus irmãos, esta palavra em vossos corações, esforçai-vos em assegurar vossa salvação com boas obras e nunca pecar. Daí ação de graças por tão grande benefício, orai sem cessar,  para que o que me foi comunicado, se verifique, para glória da Santíssima Trindade, do Pai, de Jesus Cristo, do Espírito Santo e da Virgem Maria, para sempre bendita. Amém.”

(do Livro “Vida dos Santos da Ordem Carmelita” – Frei Thomas Jansen).


Boa Semana a todos!

sábado, 28 de maio de 2016

O ROSTO DA MISERICÓRDIA

Queridos irmãos e irmãs

Depois do Tempo Pascal e das grandes festividades que já celebramos: Ascensão, Pentecostes, Ssma. Trindade, Corpus Christi, só resta a do Sagrado Coração de Jesus e a festa querida de 31 de Maio, onde todos os devotos de Maria Santíssima que a honraram com suas preces neste mês de Maio, a coroam com muita alegria. Também no Carmelo costumamos coroá-la.

Mas hoje gostaria de partilhar convosco uma página do livro que estamos lendo: O rosto da Misericórdia, do Fr. Raniero Cantalamessa, o qual recomendo a leitura, principalmente neste ano que estamos vivenciando o Ano da Misericórdia.

"O Pai não é só pai do Filho e fonte do Espírito, é também o criador do universo, em cujo comando colocou o homem. Com este entrou numa relação livre de amor e de comunhão à imagem da relação que tem com o Filho. Nesta relação Ele entra com toda a Sua glória e com todo o Seu amor. A ligação pois, que o Pai tem com o universo, envolve-O no seu íntimo com toda a sua personalidade.É nesta relação que se insere o sofrimento...........O sofrimento pela recusa do homem em se deixar envolver pelo seu amor e pela sua santidade..........

Leia-se Jr 31,20: "Porventura Efraim não e o meu filho predileto? Acaso não é um filho querido?Quanto mais o repreendo, mais Me lembro dele. Por isso, as minhas entranhas comovem-se, e Eu terei compaixão dele"

.........É como se Deus aceitasse sofrer Ele próprio as consequências do pecado do seu povo, antevendo o que irá acontecer de fato sobre a cruz.

.........Um homem nas mesmas circunstâncias poderia desafogar o ardor da sua ira e normalmente é assim que faz, mas Deus não, porque Ele é "Santo", é diferente; se também nós somos infiéis, Ele é fiel, porque não Se pode negar a Si mesmo (Os 11,8-9 e 2Tm 2,13).
Perante as criaturas humanas, Deus encontra -Se despojado de toda a capacidade não apenas constritiva, mas também defensiva. Se os seres humanos escolherem impedir o seu ato de amor como seu criador, Ele não poderá intervir como autoridade para Se impor a eles. Não poderá fazer outra coisa senão respeitar, em medida infinita, a livre escolha dos homens. Embora os possa rejeitar ou eliminar, Ele deixa-los-a agir e não Se defenderá. Ou melhor, a Sua maneira de Se defender é de defender os homens contra o seu próprio aniquilamento será amar ainda mais e sempre, eternamente.
Esta é na verdade a piscina, ou melhor, o abismo do mistério que se abre diante de nós. Só nos resta lançar-nos para dentro dela cheios de admiração e de gratidão. (ler Jo 5, 1 ss). 

(Somos nós esse paralítico que precisa ser lançado nas águas da Misericórdia divina, para sermos curados de nossos males).

Uma boa semana a todos.

sábado, 7 de maio de 2016

"MÃE" SEGUNDO O PAPA FRANCISCO

Queridos irmãos e irmãs

Amanhã celebraremos a Ascensão do Senhor, uma comemoração muito importante para a Igreja e para cada cristão: Jesus, com seu braço forte, levá-nos consigo para com Ele, permanecermos à direito do Pai. Leva-nos consigo e traz do céu para estar conosco o Santo Espírito que celebraremos na próxima semana.

Mas é também o dia que no Brasil se celebra o DIA DA MÃE

Gostaria de partilhar convosco as palavras que o Papa Francisco dirigiu às mães na catequese de 7 de janeiro de 2015. Talvez muitos já a tenham lido, mas vale a pena ler novamente:

"Continuamos com as catequeses sobre família e na família há a mãe. 
Cada pessoa humana deve a vida a uma mãe e quase sempre deve a ela muito da própria existência sucessiva, da formação humana e espiritual.
 A mãe, porém, mesmo sendo muito exaltada do ponto de vista simbólico – tantas poesias, tantas coisas belas se dizem poeticamente da mãe – é pouco escutada e pouco ajudada na vida cotidiana, pouco considerada no seu papel central da sociedade. Antes, muitas vezes se aproveita da disponibilidade das mães a sacrificar-se pelos filhos para “economizar” nas despesas sociais.
Acontece que, mesmo na comunidade cristã, a mãe nem sempre é valorizada, é pouco ouvida.
 No entanto, no centro da vida da Igreja está a Mãe de Jesus.
 Talvez as mães, prontas a tantos sacrifícios pelos próprios filhos, e não raro também por aqueles de outros, deveriam encontrar mais escuta. Precisaria compreender mais a luta cotidiana delas para serem eficientes no trabalho e atentas e afetuosas na família; precisaria entender melhor o que elas aspiram para exprimir os frutos melhores e autênticos da sua emancipação. Uma mãe com os filhos sempre tem problemas, sempre trabalho. Em me lembro de casa, éramos cinco filhos e enquanto um fazia uma coisa outro fazia outra, o outro pensava em fazer outra e a pobre mãe ia de um lado a outro, mas era feliz, Deu tanto a nós.
As mães são o antídoto mais forte para a propagação do individualismo egoísta. “Indivíduo” quer dizer “que não se pode dividir”. As mães, em vez disso, se “dividem” a partir de quando hospedam um filho para dá-lo ao mundo e fazê-lo crescer. São essas, as mães, a odiar mais a guerra, que mata os seus filhos. 
Tantas vezes pensei naquelas mães quando recebem a carta: “Digo-lhe que o seu filho morreu em defesa da pátria…”. Pobres mulheres! Como uma mãe sofre! São essas a testemunhar a beleza da vida.
 O arcebispo Oscar Arnulfo Romero dizia que as mães vivem um “martírio materno”. Na homilia pelo funeral de um padre assassinato pelos esquadrões da morte, ele disse, repetindo o Concílio Vaticano II: “Todos devemos estar dispostos a morrer pela nossa fé, mesmo se o Senhor não nos concede esta honra… Dar a vida não significa somente ser morto; dar a vida, ter espírito de martírio, é dar no dever, no silêncio, na oração, no cumprimento honesto do dever; naquele silêncio da vida cotidiana; dar a vida pouco a pouco? Sim, como a dá uma mãe que, sem temor, com a simplicidade do martírio materno, concebe no seu seio um filho, dá à luz a ele,  amamenta-o, fá-lo crescer e cuida dele com carinho. É dar a vida. É martírio”.
 Termino aqui a citação. Sim, ser mãe não significa somente colocar no mundo um filho, mas é também uma escolha de vida. O que escolhe uma mãe, qual é a escolha de vida de uma mãe? A escolha de vida de uma mãe é a escolha de dar a vida. E isto é grande, isto é belo.
Uma sociedade sem mães seria uma sociedade desumana, porque as mães sabem testemunhar sempre, mesmo nos piores momentos, a ternura, a dedicação, a força moral.
 As mães transmitem, muitas vezes, também o sentido mais profundo da prática religiosa: nas primeiras orações, nos primeiros gestos de devoção que uma criança aprende, é inscrito no valor da fé na vida de um ser humano. 
É uma mensagem que as mães que acreditam sabem transmitir sem tantas explicações: estas chegarão depois, mas a semente da fé está naqueles primeiros, preciosíssimos momentos. Sem as mães, não somente não haveria novos fiéis, mas a fé perderia boa parte do seu calor simples e profundo.
 E a Igreja é mãe, com tudo isso, é nossa mãe! Nós não somos órfãos, temos uma mãe! Nossa Senhora, a mãe Igreja e a nossa mãe. Não somos órfãos, somos filhos da Igreja, somos filhos de Nossa Senhora e somos filhos das nossas mães.
Queridas mães, obrigado, obrigado por aquilo que vocês são na família e por aquilo que dão à Igreja e ao mundo.
 E a ti, amada Igreja, obrigado por ser mãe. 
E a ti, Maria, mãe de Deus, obrigado por fazer-nos ver Jesus. E obrigado a todas as mães aqui presentes: saudamos vocês com um aplauso!"

Uma boa semana a todos!