sábado, 2 de julho de 2016

QUER SABER COMO COMEÇOU A DEVOÇÃO AO ESCAPULÁRIO DE N. SENHORA O CARMO?

Queridos irmãos e irmãs

A  festa dedicada a Nossa Senhora do Carmo que celebraremos no próximo dia 16 de julho começou assim:

O Papa Honório III redigiu no dia 30 de janeiro de 1226 a Bula de aprovação da Regra e a Confirmação da Ordem do Carmo. Em consequência desse fato a Ordem instituiu a Festa Solene de Nossa Senhora do Carmo, que se celebra no dia 16 de julho.

E o Escapulário?

Em 1245, Simão Stock é eleito sub-prior-geral da Ordem Carmelitana, mas o seu elevado cargo só lhe servia de cruz. Vivia desconsolado por causa das opressões invencíveis que os seus religiosos padeciam. Muitos se opunham ao fato deles serem chamados “Irmãos da Bem Aventurada Virgem Maria”, como se eles tivessem culpa de serem favorecidos pela proteção celestial de Maria.

 Simão Stock rogava então com repetidas instâncias à clementíssima Senhora de que era filho, que confirmasse a Bula de Honório III.

 Em 1251, com ardorosas palavras lhe compunha louvores entre eles a conhecida antífona: Flor do Carmelo, Vide florida, Resplendor do Céu, Virgem fecunda e singular; Mãe aprazível, sem conhecer varão, à vossos carmelitas de privilégios, ó Estrela do Mar!

Acabava o Santo de dizer essas doces palavras, quando a Virgem Santíssima lhe apareceu, vestida do hábito da Ordem, coroada de cintilantes estrelas, e tendo o seu divino Filho nos braços. Trazia nas mãos o Escapulário, e entregando-o a Simão lhe disse:

“Meu muito amado filho; recebe este Escapulário da tua Ordem, sinal da minha confraternidade, privilégio para ti e todos os carmelitas; quem com ele morrer, não padecerá o fogo eterno. Eis o sinal da salvação, a salvação nos perigos, contrato de paz e aliança para sempre”.

Daí a devoção se estendeu a toda a Ordem e depois a toda a Igreja. Muitos são agora os devotos do Santo Escapulário.

São Simão escreveu então entre outras estas palavras a seus co-irmãos:

“Conservando pois, meus irmãos, esta palavra em vossos corações, esforçai-vos em assegurar vossa salvação com boas obras e nunca pecar. Daí ação de graças por tão grande benefício, orai sem cessar,  para que o que me foi comunicado, se verifique, para glória da Santíssima Trindade, do Pai, de Jesus Cristo, do Espírito Santo e da Virgem Maria, para sempre bendita. Amém.”

(do Livro “Vida dos Santos da Ordem Carmelita” – Frei Thomas Jansen).


Boa Semana a todos!

sábado, 28 de maio de 2016

O ROSTO DA MISERICÓRDIA

Queridos irmãos e irmãs

Depois do Tempo Pascal e das grandes festividades que já celebramos: Ascensão, Pentecostes, Ssma. Trindade, Corpus Christi, só resta a do Sagrado Coração de Jesus e a festa querida de 31 de Maio, onde todos os devotos de Maria Santíssima que a honraram com suas preces neste mês de Maio, a coroam com muita alegria. Também no Carmelo costumamos coroá-la.

Mas hoje gostaria de partilhar convosco uma página do livro que estamos lendo: O rosto da Misericórdia, do Fr. Raniero Cantalamessa, o qual recomendo a leitura, principalmente neste ano que estamos vivenciando o Ano da Misericórdia.

"O Pai não é só pai do Filho e fonte do Espírito, é também o criador do universo, em cujo comando colocou o homem. Com este entrou numa relação livre de amor e de comunhão à imagem da relação que tem com o Filho. Nesta relação Ele entra com toda a Sua glória e com todo o Seu amor. A ligação pois, que o Pai tem com o universo, envolve-O no seu íntimo com toda a sua personalidade.É nesta relação que se insere o sofrimento...........O sofrimento pela recusa do homem em se deixar envolver pelo seu amor e pela sua santidade..........

Leia-se Jr 31,20: "Porventura Efraim não e o meu filho predileto? Acaso não é um filho querido?Quanto mais o repreendo, mais Me lembro dele. Por isso, as minhas entranhas comovem-se, e Eu terei compaixão dele"

.........É como se Deus aceitasse sofrer Ele próprio as consequências do pecado do seu povo, antevendo o que irá acontecer de fato sobre a cruz.

.........Um homem nas mesmas circunstâncias poderia desafogar o ardor da sua ira e normalmente é assim que faz, mas Deus não, porque Ele é "Santo", é diferente; se também nós somos infiéis, Ele é fiel, porque não Se pode negar a Si mesmo (Os 11,8-9 e 2Tm 2,13).
Perante as criaturas humanas, Deus encontra -Se despojado de toda a capacidade não apenas constritiva, mas também defensiva. Se os seres humanos escolherem impedir o seu ato de amor como seu criador, Ele não poderá intervir como autoridade para Se impor a eles. Não poderá fazer outra coisa senão respeitar, em medida infinita, a livre escolha dos homens. Embora os possa rejeitar ou eliminar, Ele deixa-los-a agir e não Se defenderá. Ou melhor, a Sua maneira de Se defender é de defender os homens contra o seu próprio aniquilamento será amar ainda mais e sempre, eternamente.
Esta é na verdade a piscina, ou melhor, o abismo do mistério que se abre diante de nós. Só nos resta lançar-nos para dentro dela cheios de admiração e de gratidão. (ler Jo 5, 1 ss). 

(Somos nós esse paralítico que precisa ser lançado nas águas da Misericórdia divina, para sermos curados de nossos males).

Uma boa semana a todos.

sábado, 7 de maio de 2016

"MÃE" SEGUNDO O PAPA FRANCISCO

Queridos irmãos e irmãs

Amanhã celebraremos a Ascensão do Senhor, uma comemoração muito importante para a Igreja e para cada cristão: Jesus, com seu braço forte, levá-nos consigo para com Ele, permanecermos à direito do Pai. Leva-nos consigo e traz do céu para estar conosco o Santo Espírito que celebraremos na próxima semana.

Mas é também o dia que no Brasil se celebra o DIA DA MÃE

Gostaria de partilhar convosco as palavras que o Papa Francisco dirigiu às mães na catequese de 7 de janeiro de 2015. Talvez muitos já a tenham lido, mas vale a pena ler novamente:

"Continuamos com as catequeses sobre família e na família há a mãe. 
Cada pessoa humana deve a vida a uma mãe e quase sempre deve a ela muito da própria existência sucessiva, da formação humana e espiritual.
 A mãe, porém, mesmo sendo muito exaltada do ponto de vista simbólico – tantas poesias, tantas coisas belas se dizem poeticamente da mãe – é pouco escutada e pouco ajudada na vida cotidiana, pouco considerada no seu papel central da sociedade. Antes, muitas vezes se aproveita da disponibilidade das mães a sacrificar-se pelos filhos para “economizar” nas despesas sociais.
Acontece que, mesmo na comunidade cristã, a mãe nem sempre é valorizada, é pouco ouvida.
 No entanto, no centro da vida da Igreja está a Mãe de Jesus.
 Talvez as mães, prontas a tantos sacrifícios pelos próprios filhos, e não raro também por aqueles de outros, deveriam encontrar mais escuta. Precisaria compreender mais a luta cotidiana delas para serem eficientes no trabalho e atentas e afetuosas na família; precisaria entender melhor o que elas aspiram para exprimir os frutos melhores e autênticos da sua emancipação. Uma mãe com os filhos sempre tem problemas, sempre trabalho. Em me lembro de casa, éramos cinco filhos e enquanto um fazia uma coisa outro fazia outra, o outro pensava em fazer outra e a pobre mãe ia de um lado a outro, mas era feliz, Deu tanto a nós.
As mães são o antídoto mais forte para a propagação do individualismo egoísta. “Indivíduo” quer dizer “que não se pode dividir”. As mães, em vez disso, se “dividem” a partir de quando hospedam um filho para dá-lo ao mundo e fazê-lo crescer. São essas, as mães, a odiar mais a guerra, que mata os seus filhos. 
Tantas vezes pensei naquelas mães quando recebem a carta: “Digo-lhe que o seu filho morreu em defesa da pátria…”. Pobres mulheres! Como uma mãe sofre! São essas a testemunhar a beleza da vida.
 O arcebispo Oscar Arnulfo Romero dizia que as mães vivem um “martírio materno”. Na homilia pelo funeral de um padre assassinato pelos esquadrões da morte, ele disse, repetindo o Concílio Vaticano II: “Todos devemos estar dispostos a morrer pela nossa fé, mesmo se o Senhor não nos concede esta honra… Dar a vida não significa somente ser morto; dar a vida, ter espírito de martírio, é dar no dever, no silêncio, na oração, no cumprimento honesto do dever; naquele silêncio da vida cotidiana; dar a vida pouco a pouco? Sim, como a dá uma mãe que, sem temor, com a simplicidade do martírio materno, concebe no seu seio um filho, dá à luz a ele,  amamenta-o, fá-lo crescer e cuida dele com carinho. É dar a vida. É martírio”.
 Termino aqui a citação. Sim, ser mãe não significa somente colocar no mundo um filho, mas é também uma escolha de vida. O que escolhe uma mãe, qual é a escolha de vida de uma mãe? A escolha de vida de uma mãe é a escolha de dar a vida. E isto é grande, isto é belo.
Uma sociedade sem mães seria uma sociedade desumana, porque as mães sabem testemunhar sempre, mesmo nos piores momentos, a ternura, a dedicação, a força moral.
 As mães transmitem, muitas vezes, também o sentido mais profundo da prática religiosa: nas primeiras orações, nos primeiros gestos de devoção que uma criança aprende, é inscrito no valor da fé na vida de um ser humano. 
É uma mensagem que as mães que acreditam sabem transmitir sem tantas explicações: estas chegarão depois, mas a semente da fé está naqueles primeiros, preciosíssimos momentos. Sem as mães, não somente não haveria novos fiéis, mas a fé perderia boa parte do seu calor simples e profundo.
 E a Igreja é mãe, com tudo isso, é nossa mãe! Nós não somos órfãos, temos uma mãe! Nossa Senhora, a mãe Igreja e a nossa mãe. Não somos órfãos, somos filhos da Igreja, somos filhos de Nossa Senhora e somos filhos das nossas mães.
Queridas mães, obrigado, obrigado por aquilo que vocês são na família e por aquilo que dão à Igreja e ao mundo.
 E a ti, amada Igreja, obrigado por ser mãe. 
E a ti, Maria, mãe de Deus, obrigado por fazer-nos ver Jesus. E obrigado a todas as mães aqui presentes: saudamos vocês com um aplauso!"

Uma boa semana a todos!

terça-feira, 26 de abril de 2016

ORAÇÃO DO RECOLHIMENTO SEGUNDO SANTA TERESA DE JESUS

Queridos irmãos e irmãs

Hoje transcrevo para vocês alguns textos que a Santa Madre Teresa de Jesus fala sobre a Oração de Recolhimento no Caminho da Perfeição e outros livros de sua autoria.

"Aqueles que puderem se recolher nesse pequeno céu de nossa alma, acreditem que seguem excelente caminho (CP 28,5)...De minha parte, confesso que nunca soube o que era rezar com satisfação até que Ele me ensinou esse modo de oração.
Chama-se "recolhimento" porque a alma recolhe todas as faculdades e entra em si mesma com seu Deus....É um retirar os sentidos das coisas exteriores, abandonando-as de tal maneira que, sem compreender, ela vê os seus olhos se fecharem para não as contemplar e para que mais se desperte a visão das coisas espirituais....Entendei que isso não é coisa sobrenatural, estando em nossas mãos e sendo algo que podemos fazer com o favor de Deus, já que sem este não podemos nada, sequer ter um bom pensamento. Porque isto não é o silêncio das potências, mas o encerramento delas no interior da alma.....
Vede como Santo Agostinho falou que o procurou em muitos lugares e só veio a encontrá-lo dentro de si mesmo. Pensais que importa pouco a uma alma dissipada entender essa verdade e ver que não precisa, para falar com seu Pai eterno ou para regalar-se com Ele, ir ao céu?

O recolhimento não tem outro fim senão o de conduzir a alma para o santuário mais íntimo do Senhor.

Ao esforço do recolhimento, deve seguir-se normalmente um esforço de busca ativa de Deus
Não há nada melhor do que procurar a companhia de Jesus e conversar com Ele. Como Verbo, Ele está presente na alma com o Pai e o Espírito Santo; e como Verbo Encarnado, é o mediador único e a palavra de Deus que devemos escutar em silêncio;

"Absorta em si mesma, pode pensar na Paixão, representar ali o Filho e oferecê-lo ao Pai, sem cansar o entendimento indo procurá-lo no Monte Calvário, no Horto ou na coluna.....É bom pensar um pouco...mas, aquietado o entendimento, fique ali com Ele. Se puder, que se ocupe em ver que Ele o olha, fazendo-lhe companhia, falando com Ele, pedindo, humilhando-se e deliciando-se com Ele, tendo sempre em mente que não merece estar ali" (CP 28, V, 13).

"Tratai com Ele como com um pai, um irmão, um Senhor e um Esposo, às vezes de uma maneira e às vezes de outra; Ele vos ensinará o que tendes de fazer para contentá-lo...."

Uma boa semana a todos.

domingo, 10 de abril de 2016

CONSAGRAÇÃO DO BRASIL À NOSSA SENHORA APARECIDA

Queridos irmãos e irmãs

Partilho hoje essa bela Consagração do Brasil à Nossa Senhora Aparecida, num momento em que o Brasil está passando por essa crise. Estamos rezando essa oração diariamente. Não podemos fazer grandes coisas, mas podemos rezar pela nossa Pátria.

CONSAGRAÇÃO A NOSSA SENHORA APARECIDA

Ó Maria imaculada, Senhora da Conceição Aparecida, aqui tendes prostrado diante da vossa milagrosa imagem o Brasil, que vem de novo consagrar-se à vossa maternal proteção.
Escolhendo-vos por especial padroeira e advogada da nossa pátria, nós queremos que ela seja inteiramente vossa.
Vossa a sua natureza sem par, vossas as suas riquezas, vossos os campos e as montanhas, os vales e os rios, vossa a sociedade, vossos os lares e seus habitantes, com os seus corações e tudo que eles têm e possuem; vosso, enfim, é todo o Brasil.
Sim, ó Senhora Aparecida, o Brasil é vosso!
Por vossa intercessão, temos recebido todos os bens das mãos de Deus, e todos os bens esperamos receber, ainda e sempre, por vossa intercessão.
Abençoai, pois, o Brasil que vos ama, abençoai o Brasil que vos agradece, abençoai o Brasil que é vosso.
Abençoai, ó Rainha de amor e misericórdia, abençoai, defendei, salvai o vosso Brasil!
Protegei a Santa Igreja, preservai a nossa fé, defendei o Santo Padre, assisti os nossos Bispos. Santificai o nosso clero, socorrei as nossas famílias, amparai o nosso povo, esclarecei o nosso governo, guiai a nossa gente no caminho do céu e da felicidade.
Ó Senhora da Conceição Aparecida! Lembrai-vos de que somos e queremos ser vossos vassalos e súditos fiéis. Mas lembrai-vos também de que somos e queremos ser vossos filhos. Mostrai, pois, ante o céu e a terra que sois a padroeira poderosa do Brasil e a Mãe querida de todo o povo brasileiro.

Sim, ó Rainha do Brasil, ó Mãe de todos os brasileiros, venha sempre mais a nós o vosso reino de amor, e por vossa mediação venha à nossa pátria o reino de Jesus Cristo, vosso Filho e Senhor nosso! Amém.

quinta-feira, 24 de março de 2016

OS PRESENTES DE JESUS

Queridos irmãos e irmãs




Hoje iniciamos o Tríduo Pascal. 

Aquele que tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim, no seu infinito Amor deixou-nos infinitos dons.

Vamos lembrar alguns:

Seu Corpo e Sangue na Santa Eucaristia

O Mandamento do Amor

O Santo Sacerdócio

O seu Santo Evangelho

Além disso deu-nos Maria por Mãe.

E deixou a sua fotografia de corpo inteiro - O SANTO SUDÁRIO.

Como não CRER e ADORAR?

SILÊNCIO TODA A CARNE DIANTE DAQUELE MORREU E RESSUSCITOU PARA NOS TORNAR PARTICIPANTES DA SUA GLÓRIA!

SANTA E FELIZ PÁSCOA!

Irmãs Carmelitas

domingo, 6 de março de 2016

O QUE A ORAÇÃO PEDE, O JEJUM O ALCANÇA E A MISERICÓRDIA O RECEBE

Queridos irmãos e irmãs
Hoje, 4º domingo da quaresma, domingo róseo, cujas leituras falam da infinita misericórdia de Deus.
Mas como já estamos quase no fim da quaresma hoje partilho com vocês a 2ª leitura do oficio de matinas de 3ª feira. É um bom programa de vida para a quaresma:

Dos Sermões de São Pedro Crisólogo, bispo
(Sermo 43: PL 52,320.322)             (Séc.IV)

O que a oração pede, o jejum o alcança 
e a misericórdia o recebe
Há três coisas, meus irmãos, três coisas que mantêm a fé, dão firmeza à devoção e perseverança à virtude. São elas a oração, o jejum e a misericórdia. O que a oração pede, o jejum alcança e a misericórdia recebe. Oração, misericórdia, jejum: três coisas que são uma só e se vivificam reciprocamente.
O jejum é a alma da oração e a misericórdia dá vida ao jejum. Ninguém queira separar estas três coisas, pois são inseparáveis. Quem pratica somente uma delas ou não pratica todas simultaneamente, é como se nada fizesse. Por conseguinte, quem ora também jejue; e quem jejua, pratique a misericórdia. Quem deseja ser atendido nas suas orações, atenda as súplicas de quem lhe pede; pois aquele que não fecha seus ouvidos às súplicas alheias, abre os ouvidos de Deus às suas próprias súplicas.
Quem jejua, pense no sentido do jejum; seja sensível à fome dos outros quem deseja que Deus seja sensível à sua; seja misericordioso quem espera alcançar misericórdia; quem pede compaixão, também se compadeça; quem quer ser ajudado, ajude os outros. Muito mal suplica quem nega aos outros aquilo que pede para si.
Homem, sê para ti mesmo a medida da misericórdia;deste modo alcançarás misericórdia como quiseres, quanto quiseres e com a rapidez que quiseres; basta que te compadeças dos outros com generosidade e presteza.
Peçamos, portanto, destas três virtudes – oração,jejum, misericórdia – uma única força mediadora junto de Deus em nosso favor; sejam para nós uma única defesa, uma única oração sob três formas distintas.
Reconquistemos pelo jejum o que perdemos por não saber apreciá-lo; imolemos nossas almas pelo jejum, pois nada melhor podemos oferecer a Deus como ensina o Profeta: Sacrifício agradável a Deus é um espírito penitente; Deus não despreza um coração arrependido e humilhado (cf. Sl 50,19).
Homem, oferece a Deus a tua alma, oferece a oblação do jejum, para que seja uma oferenda pura, um sacrifício santo, uma vítima viva que ao mesmo tempo permanece em ti e é oferecida a Deus. Quem não dá isto a Deus não tem desculpa, porque todos podem se oferecer a si mesmos.
Mas, para que esta oferta seja aceita por Deus, a misericórdia deve acompanhá-la; o jejum só dá frutos se for regado pela misericórdia, pois a aridez da misericórdia faz secar o jejum. O que a chuva é para a terra, é a misericórdia para o jejum. Por mais que cultive o coração, purifique o corpo, extirpe os maus costumes e semeie as virtudes, o que jejua não colherá frutos se não abrir as torrentes da misericórdia.
Tu que jejuas, não esqueças que fica em jejum o teu campo se jejua a tua misericórdia; pelo contrário, a liberalidade da tua misericórdia encherá de bens os teus celeiros. Portanto, ó homem, para que não venhas a perder por ter guardado para ti, distribui aos outros para que venhas a recolher; dá a ti mesmo, dando aos pobres, porque o que deixares de dar aos outros, também tu não o possuirás.